CABIARÁ é o nome do sitio em que passei minha infancia, um lugar de liberdade e natureza, significa Estrela da Manhã. Aqui uso as palavras pra pensar medos e sonhos, pra fazer e perder sentido, pra pedir socorro, pra oferecer abrigo...
domingo, abril 08, 2012
Entrevista do Premier Chinês a Joelmir Betting
Basicamente acho o prontuário e o diagnóstico do Primeiro Ministro válidos, acho notável o tom de “comando” sem papas na língua, naturalmente não é facil refutar uma analise assim pragmática e lógica.
Kung Fu Tsé – golpeia direto no ponto, sem delongas ou sutilezas. O que pode responder a nossa Capoeira e gingado?
É uma mudança politica e diplomática enorme lidar com o poder ascendente Chinês. Esse mais que qualquer outro é o significado real da “profecia” de reversão polar, nos orientaremos pelo Oriente. A visão e modo agir e Chinês está a cada dia mais explicita e articulada para nós estrangeiros periféricos. Nós que sempre gravitamos em torno da lógica e modo de agir do outro lócus de poder mundial – o ocidente eurocentrado – agora vemos nosso Norte em decadência ou nitidamente em menor ascenção diante do processo Chinês de expansão. Precisamos entender e nos relacionar com esse modo Chinês de ver o mundo sem nos curvar a ele apenas numa troca de mestres. Podemos acolher essas sugestões úteis, a nosso modo, mas acho importante manter que nosso momento é de afirmação (não de resistência), é talvez nossa oportunidade de deixar a vassalagem e a escravidão.
A Entrevista:
10 medidas para melhorar o Brasil (que funcionaram na China)
O Primeiro Ministro da China, Wen Jiabao, visitou o Brasil recentemente pela primeira vez e surpreendeu pelo conhecimento que tem sobre nosso país, segundo ele, devido o aumento da amizade e dos negócios entre Brasil e China, vem estudando nossa cultura, nosso povo, desenvolvimento e nosso governo nos últimos 5 anos e, por isso aproveitou a visita de acordos comerciais para lançar algumas sugestões que, segundo ele, foram responsáveis pelas mudanças e pelo crescimento estrondoso da China nos últimos anos.
Durante uma de suas conversas com a Presidente Dilma e seus ministros, Wen foi enfático no que ele chama de "Solução para os países emergentes", que é o caso do Brasil, China, Índia e outros países que entraram em grande fase de crescimento nos últimos anos, sendo a China a líder absoluta nessa fila.
O que o ministro aponta como principal ponto para um país como o Brasil desponte a crescer fortemente???
Mudanças imediatas na administração do país, sendo a principal delas, a eliminação de fatores hipócritas, onde as leis insistem em ver o lado teórico e não o prático e real de suas consequências, sendo que, para isso o país terá que sofrer mudanças drásticas em seus pontos de vista atuais, como fez a China nos últimos 20 anos, sendo os 10 principais os que se seguem:
1) PENA DE MORTE PARA CRIMES HEDIONDOS COMPROVADOS:
Fundamento: Um governo tem que deixar de lado a hipocrisia quando toca neste assunto, um criminoso não pode ser tratado como celebridade, criminosos reincidentes já tiveram sua chance de mudar e não mudaram, portanto, não merecem tanto empenho do governo, nem a sociedade honesta e trabalhadora merece conviver com tamanha impunidade e medo, citou alguns exemplos bem claros: Maníaco do parque, Lindeberg, Suzane Richthofen, Beira Mar, Elias Maluco, etc. Eliminando os bandidos mais perigosos, os demais terão mais receio em praticarem seus crimes, isso refletirá imediatamente na segurança pública do país e na sociedade, principalmente na redução drástica com os gastos públicos em segurança. A longo prazo isso também reflete na cultura e comportamento de um povo.
2) PUNIÇÃO SEVERA PARA POLÍTICOS CORRUPTOS:
Fundamento: É estarrecedor saber que o Brasil tem o 2º maior índice de corrupção do mundo, perdendo apenas para a Nigéria, porém, comparando os dois países o Brasil está em uma situação bem pior, já que não pune nenhum político corrupto como deveria, o Brasil é o único país do mundo que não tem absolutamente nenhum político preso por corrupção, portanto, está clara a razão dessa praga (a corrupção) estar cada vez pior no país, já que nenhuma providência é tomada, na China, corrupção comprovada é punida com pena de morte ou prisão perpétua, além é óbvio, da imediata devolução aos cofres públicos dos valores roubados. O ministro chinês fez uma pequena citação que apenas nos últimos 5 anos, o Brasil já computou um desvio de verbas públicas de quase 100 bilhões de reais, o que permitiria investimentos de reflexo nacional. Ou seja, algo está errado e precisa ser mudado imediatamente.
3) QUINTUPLICAR O INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO:
Fundamento: Um país que quer crescer precisa produzir os melhores profissionais do mundo e isso só é possível quando o país investe no mínimo 5 vezes mais do que o Brasil tem investido hoje em educação, caso contrário, o país fica emperrado, aqueles que poderiam ser grandes profissionais, acabam perdidos no mercado de trabalho por falta da base que deveria prepara-los, com o tempo, é normal a mão de obra especializada passar a ser importada, o que vem ocorrendo a cada vez mais no Brasil, principalmente nos últimos 5 anos quando o país passou a crescer em passos mais largos.
4) REDUÇÃO DRÁSTICA DA CARGA TRIBUTÁRIA E REFORMA TRIBUTÁRIA IMEDIATA:
Fundamento: A China e outros países desenvolvidos como os EUA já comprovaram que o crescimento do país não necessita da exploração das suas indústrias e empresas em geral, bem pelo contrário, o estado precisa ser aliado e não inimigo das empresas, afinal, é do trabalho destas empresas que o país tira seu sustendo para crescer e devolver em qualidade de vida para seus cidadãos, a carga tributária do Brasil é injusta e desorganizada e enquanto não houver uma mudança drástica, as empresas não conseguirão competir com o mercado externo e o interno ficará emperrado como já é.
5) REDUÇÃO DE PELO MENOS 80% DOS SALÁRIOS DOS POLÍTICOS BRASILEIROS:
Fundamento: O Brasil tem os políticos mais caros do mundo, isso ocorre pela cultura da malandragem instalada após a democrácia desorganizada que tomou posse a partir dos anos 90 e pela falta de regras no quesito salário do político. O político precisa entender que é um funcionário público como qualquer outro, com a função de empregar seu trabalho e seus conhecimentos em prol do seu país e não um "rei" como se vêem atualmente, a constituição precisa definir um teto salarial compatível com os demais funcionários públicos e a partir dai, os aumentos seguirem o salário mínimo padrão do país, na China um deputado custa menos de 10% do que um deputado brasileiro. A revolta da nação com essa balbúrdia com o dinheiro público, com o abuso de mega-salários, sem a devida correspondência em soluções para o povo, causa ainda mais prejuízos ao estado, pois um povo sentindo-se roubado pelos seus líderes políticos, perde a percepção do que é certo, justo, honesto e honrado.
6) DESBUROCRATIZAÇÃO IMEDIATA:
Fundamento: O Brasil sempre foi o país mais complexo em matéria de negociação, segundo Wen, a China é hoje o maior exportador de manufaturados do mundo, ultrapassando os EUA em 2010 e sem nenhuma dúvida, a China e os EUA consideram o Brasil, o país mais burocrata, tanto na importação, quanto exportação, além é claro, do seu mercado interno, para tudo existem dezenas de barreiras impedindo a negocição que acabam em muitas vezes barrando o desenvolvimento das empresas e refletindo diretamente no desenvolvimento do país, isso é um caso urgente para ser solucionado.
7) RECUPERAÇÃO DO APAGÃO DE INVESTIMENTOS DOS ÚLTIMOS 50 ANOS:
Fundamento: O Brasil sofreu um forte apagão de investimentos nos últimos 50 anos, isso é um fato comprovado, investimentos em infraestrutura, educação, cultura e praticamente todas as demais áreas relacionadas ao estado, isso impediu o crescimento do país e seguirá impedindo por no mínimo mais 50 anos se o Brasil não tomar atitudes fortes hoje. O Brasil tem tudo para ser um grande líder mundial, tem território, não sofre desastres naturais severos, vive em paz com o resto do mundo, mostrou-se inteligente ao sair ileso da grande crise financeira de 2008, porém, precisa ter a coragem de superar suas adversidades políticas e aprender investir corretamente naquilo que mais necessita.
8) INVESTIR FORTEMENTE NA MUDANÇA DE CULTURA DO POVO:
Fundamento: A grande massa do povo brasileiro não acredita mais no governo, nem nos seus políticos, não respeita as instituições, não acredita em suas leis, nem na sua própria cultura, acostumou-se com a desordem governamental e passou a ver como normal as notícias trágicas sobre corrupção, violência, etc, portanto, o Brasil precisa investir na cultura brasileira, iniciando pelas escolas, empresas, igrejas, instituições públicas e assim por diante, começando pela educação patriótica, afinal, um grande povo precisa amar e honrar seu grande país, senão é invevitável que à longo prazo, comecem surgir milícias armadas na busca de espaço e poder paralelo ao governo, ainda mais, sendo o Brasil um país de proporções continentais como é.
9) INVESTIR EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA IMEDIATAMENTE:
Fundamento: Proporcionalmente, o Brasil investe menos de 8% do que a China em ciência e tecnologia, isso começou a ter forte reflexo no país nos últimos 5 anos, quando o Brasil passou a crescer e aparecer no mundo como um país emergente e que vai crescer muito a partir de agora, porém, não tem engenheiria de qualidade, não tem medicina de qualidade, tecnologia de qualidade, não tem profissionais com formação de qualidade para concorrer com os países desenvolvidos que encontram-se mais de 20 anos a frente do Brasil, isso é um fato e precisa ser visto imediatamente, pois reflete diretamente no desenvolvimento de toda nação.
10) MENORIDADE PENAL E TRABALHISTA A PARTIR DE 16 ANOS
(o mundo está envelhecendo...):
Fundamento: O Brasil é um dos poucos países que ainda possuem a cultura de tratar jovens de 15 a 18 anos como crianças, não responsáveis pelos seus atos, além de proibi-las de oferecer sua mão de obra, isso é erro fatal para toda a sociedade, afinal, o Brasil, assim como a grande maioria dos paises, estão envelhecendo e precisam mais do que nunca de mão de obra renovada, além do que, essa contradição hipócrita da lei, serve apenas para criar bandidos perigosos, que ao atingirem 18 anos, estão formados para o crime, já que não puderam trabalhar e buscaram apenas no crime sua formação. Na China, jovens tem permissão do governo para trabalhar normalmente (não apenas como estagiários como no Brasil) a partir dos 15 anos, desde que continuem estudando e, sim, respondem pelos seus crimes normalmente, como qualquer adulto com mais de 18 anos.
Recebi este texto por email dizendo que foi retirado do Blog do jornalista Joelmir Beting da Rede Bandeirantes, e assim o repasso, segundo Joelmir, o texto não está na íntegra, já que não foi permitida a sua divulgação nos meios de comunicação, também, segundo o assessor que permitiu o "vazamento" do relatório da conversa com o primeiro ministro chinês, o governo brasileiro optou por não divulgar estas informações por não se tratarem da real missão do primeiro ministro ao Brasil, que era apenas para tratar de assuntos comerciais entre os dois paises, mas como diz Joelmir, para bom entendedor, apenas isso basta, ou seja, não há interesse do governo em divulgar esses fatos, pois, para o PT e demais governantes, do jeito que o Brasil se encontra é exatamente o jeito que eles sempre sonharam, um país que reina a impunidade política e o povo não tem vez nem voz, até porque, essa cultura que o sr Wen tanto cita, é exatamente o que poderia causar problemas na atual política brasileira, portanto, um povo acomodado e que apenas assiste de camarote o corrupto sacar dinheiro do seu próprio bolso, é o sonho de qualquer criminoso do colarinho branco.
Brasileiro num Mundo em Transição
Também ainda tenho os neurônios vibrando pela leitura de um livro fundamental:
Why the West Rules – for Now: The Patterns of History and What They Reveal About the Future (Por que o Ocidente Domina o Mundo — Por Enquanto: Os Padrões da História e o que Eles Revelam Sobre o Futuro), de Ian Morris
Espero poder compartilhar mais a respeito desse livro.
Vou publicar em seguida a entrevista na Veja aonde fiquei sabendo sobre esse trabalho acima e a entrevista do Premier Chinês.
Que os deuses do copyright e todos mais me perdoem, hoje estou com postagem compulsiva!
Ai vai para quem me atura nessa Páscoa:
Brasileiro num Mundo em Transição
Ser brasileiro talvez não seja um direito... é uma missão. Ser brasileiro não é algo que existe, é algo que se inventa. Não e algo que se encontra, e algo que se cria. É uma afiliação forcada e sedutora. Ser brasileiro, e agir, é produzir cultura.
É possível ficar á margem, ignorar, viver dos frutos abundantes dessa terra e simplesmente não participar do algo maior, que é esse desafio colossal e intimo de encontrar um lugar mestiço e novo num mundo de cores antigas e definidas. Uma nova dança dentro da velha polca... acho que o mundo nunca chegou a valsar.
Se antes respondíamos, ou nos enquadrávamos à ótica eurocêntrica que tinha seus modos de nos qualificar e desqualificar, que tinha seus degraus e comportamentos que devíamos replicar, agora com a mudança das marés da história teremos que nos posicionar, mais coerentemente frente a uma visão de mundo potencialmente ainda mais ancestral e totalitária - a Chinesa.
A entrevista do primeiro ministro Chinês ao Joelmir Betting, é menos uma sugestão que um mandato dum céu de Confúcio, é o velho código de comportamento ancestral do homem virtuoso re-editado para a economia de mercado. Tem mérito, mas provém de uma lógica pré moderna e binária, onde o erro é irreparável, punível com morte, e esse é apenas o primeiro tópico.
Não devemos nos impressionar demais com a ascensão do poder imperial chinês, mas não podemos extrapolar demais nossa influencia ou importância dentro do quadro geopolítico atual e futuro. Ainda somos e talvez continuemos sendo "os pequeninos". Algo positivo num mundo de certezas congeladas e estruturas enrijecidas. Os pequenos, os periféricos talvez percebam e lidem melhor com as mudanças do evoluir da história humana e da própria terra no seu processo cósmico.
O novo cenário que se descortina apresenta o poder mundial em forte transição. Como prevê com forte embasamento o livro supracitado, pela primeira vez em vários milênios e de modo incontestavelmente global o domínio passará das mãos europeias para chinesas. Será um mundo muito diferente e nele deveremos encontrar como nação uma bússola interna muito clara, ou nos tornaremos apenas sujeitos de mandatos do céu chinês, num mundo organizado e limpo a partir do comando central (quem sabe até benigno) de um império totalitário e extenso. Um império acostumado a ser império...
Pode ser que essa seja uma fase importante da história futura, mas também poderá ser extremamente opressiva para os que não encontrarem alguma forma de soberania interna que se sobreponha uma lógica de dominação mundial para organização da economia e do trabalho, e da geração de um fluxo de riquezas que beneficie o “Novo Imperador”.
Mais que nunca se torna importante encontrar um espaço compartilhado aonde a existência plena e feliz do humano possa se desenrolar, e se sobrepor a coisificação e ao congelamento. Esse é um espaço que só pode surgir numa periferia menos ocupada com o desempenho do controle e do poder e mais próxima da experiência plena do que é realmente ser humano nesse universo enorme e misterioso.
Por isso acho importante não nos ocuparmos de pretensões diretas de influencia global, mas sim como tem sido no aspecto de nossa cultura, que nossa "influencia global" continue a ocorrer ainda mais desse modo “divino”, sem agenda, valoroso mas sem preço de uma bossa que se ouve e nos faz balançar.
Ser Brasileiro é uma missão e uma emoção, uma emissão (? rs) de uma vibe subliminar...
Divago no swing irresistível da rima.
O ponto é que ainda somos a nação jovem de antes, e operamos dentro das mesmas forcas antigas, que temos dentro de nos. A inserção de nossa relativamente curta história no contar da história mais antiga da humanidade é uma necessária ampliação de perspectiva e de contexto, pois implica em recontar essa mesma história, com a nossa voz e visão. Voz essa não necessariamente dissemelhante, mas certamente rica em acréscimos fundamentais. O jogo mundial é pesado, e os jogadores são duros, não podemos nos ufanar nem iludir que nos basta o nosso charme tropical, como se fossemos algo pois lá não cantam os pássaros como o singelo sabiá daqui. O sabiá é um tesouro que nos enriquece a alma, fortalece a resolução, alegra as manhãs, mas não nos faz intrinsecamente melhores. O que nos faz bons (e não melhores) é a capacidade de sorrir, de superar, de criar e transformar, de viver do mundo e para o mundo, cuidar, plantar, orar no plantio e festejar a "colheita". E isso vale é claro para qualquer humano nessa sintonia. Quem sabe Brasil não possa ser uma estação de radio para se sintonizar na alma.
Por isso coloquei no grupo algumas reuniões atrás a questão de como podemos de uma cultura nacional (que não é apenas mas é em grande parte uma) nascida de resistência à dominação feitorial e opressiva, que é uma cultura ainda recente de resistência a um coturno ignorante e insensível a singeleza da balada cortante, evoluir em uma cultura que realmente nos aproxime a todos e que seja o alimento duma nação produtiva, acolhedora, ecológica e exemplar. Uma cultura signatária de um mandato mais profundo e amplo que qualquer articulação Confucionista, Marxista, Fascista, Budista, Cristã. Um conjunto de humanos, nação singela herdeira da vida e da história, capitã incontestável de seu presente, e humilde administradora dos tesouros deixados para o futuro sustentável e “sem fim”. Exemplo nunca totalitário da possibilidade inesgotável do melhor do humano, dos recursos infindáveis da Vida. Honrada descendente dos Espíritos ancestrais dessa Geografia generosa. Amiga, pacifica, esplendida, magnifica, singela... Soberana Inatacável.
Resumindo, como um primeiro aspecto, esse texto tenta alertar, que em se falando do lugar do Brasil e da brasilidade no mundo surge a necessidade de uma percepção clara do cenário mundial e de inserção de nossa história dentro da história humana milenar. O que não é óbvio nesse caso é qual é a configuração real do cenário mundial agora e no futuro próximo, a transição do locus do poder não é tão obvia, pois a analise desse cenário futuro é tão complexa com tantos elementos, perspectivas e influencias, que não proporciona uma visão clara quanto ao ambiente mundial que está surgindo e se consolidando. Hoje o que é um fator obscuro e menor pode ser um elemento preponderante no futuro.
O segundo aspecto complementar quer pensar sobre a necessidade de um abraçar mais lúcido e criativo desses aspectos que nos aproximam do que podemos chamar de sonho do Brasil. Ou seja mais que nunca precisamos entender o mundo do qual somos parte desse pais ideal e nos colocar participativamente nele, precisamos encontrar aquilo que pode nos fazer um todo saudável num mundo enfrentando tantas dificuldades.
Se é possível fazer isso de modo explicito, se é possível se pensar num sentimento de pertencimento e de nacionalidade e de como melhora-lo, como distribui-lo eu não sei. Não sei se cabe ai analise e manipulação, ou se cabe apenas um olhar confiante no desenrolar natural desse processo que tem sido a construção dessa nacionalidade. Então fica a questão, será possível, no âmbito da cultura, dessa criação coletiva e espontânea, oferecer significados que possam ser abraçados por todos, que de modo mais intimo e intenso inflame seus corações e mentes, que aqueça a existência, e que abra a roda pra um balanço que ninguém ainda viu nesse planeta, quiçá na Galáxia??
Abraço de um delirante ululante, é o chocolate pascoal!
segunda-feira, agosto 29, 2011
Revoltas na Inglaterra e outras coisas relacionadas
Fala indignada de um senhor Britanico à BBC Londres
ou em ingles no video original:
London Riots. (The BBC will never replay this. Send it out)
Achei interessante como não só o que o Sr Darcus Howe (ele é um radialista das West Indies que vive em Londres a 50 anos) fala soa intensamente verdadeiro, mas como fica claro no "subtexto" de todo o dialogo dele com a "entrevistadora" que existe uma forte "gag order" (uma ordem de ficar mudo) por parte da imprensa e da policia quando se tenta falar mais abertamente. A entrevistadora claramente indica que existem coisas que podem e que não podem ser ditas! Isso é fenomenal, e indica uma ditadura silenciosa e insidiosa que ordena os modos de ser, agir, pensar...
Esse video, para mim mostra claramente a similaridade, a correspondencia direta do fenomeno arabe "tão longe de casa" e o fenomeno do "jovens baderneiros nas vizinhanças de Londres"... que incomodo! E no entanto tão exatamente a mesma coisa. Um mundo que não aguenta mais a exclusividade dos desejos impossiveis vendidos pela midia, e que são o motor economico e a motivação aparente das sociedades modernas. A opressão ditatorial e ideológica em qualquer lugar, com controle de imprensa e dos comportamentos é identica a opressão economica, e talvez mais honesta por ser um inimigo evidente, que na democrática Inglaterra ou qualquer simile paraiso de liberdade para o desejo e consumo. Só que os instrumentos são um pouco diferentes, a Ditadura cala na paulada (é obtusa) a Democracia dos poucos cala por depreciar, ou por desmerecer, ou por francamente ignorar outras vozes, ao mesmo tempo que induz uma frequencia de ordem unida na vibração do alarido das sirenes (sereias) subliminais do consumo.
Conversava com um amigo meu sobre a responsabilidade da propaganda, ele é do ramo. Não sei se voces sabem mas a grande maioria das empresas de propaganda do mundo são controladas de modo draconiano por apenas 2 mega holdings inglesas! Se alguma coisa cheira a Big Brother (do Orwell não da Globo) ai está algo para os paranoicos mastigarem. Esse amigo tem o discurso padrao da midia dos desejos que reza que a propaganda apenas apresenta o produto, ele só é um sucesso se for realmente bom e coisa e tal... Ora propaganda é apenas assim como um anuncio classificado, compre meu carro usado, ou minha bicicleta... Engraçado, não me parece assim, quando na tv anuncios induzem as crianças a infernizarem os pais para comprar isso ou aquilo, estudos dizem que os pais compram. Atordoados e sem reflexão sobre suas vidas na corrida de ratos, que é vista como business as usual, um fato da vida, os pais correm para atender mais essa demanda imprescindivel. Quantas demandas imprescindiveis, exclusivas, por tempo e estoques limitados, únicas e fundamentais, que definem nosso proprio carater e quem somos como pessoas, que podem nos aproximar de modo inexoravel das condições ideais de conforto segurança e paz que almejamos, com aquele parceiro cheiroso, limpinho, eternamente sorridente e bonito, quantas dessas sugestões que nos "produtificam" podemos aguentar? Até que explodam os excluídos que não podem ter o exclusivo, até que sacudam as grades os bárbaros que não entendem que aquilo, não é pra eles... Na verdade aquilo, não é pra ninguem, nenhuma pessoa real cabe naquele sonho, nenhum planeta ou vida suporta a manutenção infinita e distribuída dessa proposta...
Abri uma revista de automóveis, eles me fascinam ao mesmo tempo que me dão muito desgosto. Vejo um Cadillac top de linha que acelera de 0 a 100 em 3 segundos e que faz uma volta em Nurburgring (um famoso circuito de corrida alemão) em 7 minutos, preto, quase 600 cavalos (sem incluir o dono), vejo que a revista toda é feita não do automóvel, mas desse brilho em torno do automóvel, uma coisa inefável que lhe dá um tipo de existencia especial, pois voce tem acesso, enfim, a algo tão incrivel que te transforma, te reveste, e te faz especial. Claro não se fala nada que esses carros saem de estampas mecanicas, e que os parafusos tem roscas iguais e para o mesmo lado de todas as outras roscas e parafusos, ou que a tinta arranha e desbota, e que o brilho e o valor se perde a partir do momento que o bólido sai da agencia. Eu fiquei espantado com a revista, americana e online, sem saber aonde começava a reportagem sobre equipamentos mecanicos de deslocamento em apoio sustentável a existencia social, e aonde estava a ficção e a trama do incensamento de desejos, e a aplicação da camada de um feromonio sutil feito para atrair as bestas para a armadilha fatal.
Para alguns é o Cadillac, para outros o Adidas, ou a ZARA (que emprega os Bolivianos novos-escravos, ilegais nos Sweat shops em SP). Ou a enorme legião chinesa cativa que vai nos inundar de tudo aquilo que queremos até que a gente e o mundo sufoque...
Por esse caminho, e os governos do mundo parecem sempre apenas oferecer mais do mesmo, não vai dar. E se formos por ai me parece que o cenário Mad Max dos humanos num mundo devastado e cheio de sucata não é tão improvável. Imagino que os humanos regredidos e selvagens nesse cenário se tornem caçadores e coletores de latas e trecos que ainda funcionam, gotas de gasolina aqui, um badulaque ali. Trogloditas da nova era... "Recicloditas" em tribos nomades na terra devastada...
Claro isso é um cenário apenas, um exagero gráfico pra tentar criar anticorpos a perfeição fotografica de um mundo de defuntos. Existem muitas outras coisa acontecendo em paralelo, que com sorte emergirão do tecido das relações do Homem consigo mesmo e com o Mundo, e vicejarão por terem um DNA mais afeito a vida nessa nova época. Entretanto, parece que essa é a hora dos fortes, e possivelmente dos pequenos. "Vinde a mim as criancinhas", os ratinhos, as baratas, os humildes... Quem sabe, os perdidos e revoltados... Esses não vem de Cadillac a 250 por hora, esses marcham em tenis furados, lentamente vão chegando a um fim de mundo, o fim de uma festa idiota e banal, que não quer se abrir para a vida.
Sei que as palavras são fortes, e negras, mas na realidade essa é a visão apenas sobre o problema, do modo como eu o entendo. A solução começa no interno de cada um, pela lucidez diante dos fatos, pela simplificação da vida, pelo voto de proteger e ajudar tudo o que é vivo e tudo o que tem sentimento, pelo entendimento do que é a liberdade real, pela pacificação do coração e mente e tantas coisa mágicas e maravilhosas, acessiveis gratuitamente a qualquer um que as desejar.
sexta-feira, julho 22, 2011
A Escolha da Ponte
Onde está a ponte entre nossas melhores aspirações e o “mundo real”. Parece que não pertencemos a esse mundo, brigamos com ele constantemente ao extrair dele nossa subsistência, entretanto também parecemos não pertencer ao mundo das nossas melhores aspirações, visto que muitas vezes nos sentimos em conflito ao não conseguir esboça-las nem nos menores gestos. Incoerentes, incoerentes com a força de vida que nos anima, incoerentes com o que às vezes vemos, de que todos somos um...
Entretanto também “incoerente” é a luz difusa do sol que nos ilumina, deixando sombras às vezes macias, às vezes agudas, mas uma luz intensa que reflete em toda a parte e vem iluminar mesmo aquilo que está por trás. Uma luz que busca superar a limitação natural da luz de ser sempre reta, e reboteia nos cantos pra retornar e iluminar o lugar escuro. Incoerente essa luz, que ao invés de ir embora ao espaço insiste em ficar mais um pouco e nos aquecer, nos espelhos e labirintos de nossas delusões.
Acordo com meu coração apertado, ontem vi mais uma vez o dilema impossível de ser um arquipélago de solidão, onde mora um desejo de juntar as partes e se tornar terra inteira.
Mas não era exatamente assim que eu queria entrar por essas idéias...
Essa manhã Ana acordou chorosa, discutimos ontem, a briga de casal mais boba no meio duma festa de ideais elevados, o dia final do ciclo de diálogos pela educação e pela paz, que tínhamos ido assistir no Rio. Talvez essa seja a metáfora perfeita, sei lá, pra mostrar como tantas e tantas vezes nossas ideias tentam ir numa direção, mas nossas ações e até palavras vão mesmo é pra outro lado... Claro que existem, ou podem existir, razões complementares para a melancolia da Ana, isso me alivia de ser a fonte de toda a sua tristeza nesse momento.
Penso que talvez a razão de termos nos bicado feito periquitos apertados na mesma gaiola possa ser, no fundo, a mesma sensação de não pertencer. De não pertencer àquilo, de não saber o que fazer com aquilo, de ter a cabeça doendo com a dificuldade de conciliar as abstrações mais fantásticas com a realidade de nosso pequeno mundo de casal. Nossa vida doméstica, entre o ruído da geladeira que sempre pede o mercado, e a rotina dos dias que os faz iguais, e que faz o tempo escorrer das mãos sem aquele registro incomum que faz o ritmo da vida ficar mais colorido, mais memorável.
Diante de um Lama, dum Pastor, dum Pedagogo, duma Educadora, e de outra Educadora, dum Catedrático, de uma Santidade Tibetana, nossa vida se apequena, e se revela. Diante do zoom sideral e do microscópio que suas visões nos proporcionam o espaço do meio se revela faltando, carente, desconectado. Uma parte de nós se desmonta frágil, e não sabemos ou não vemos por que recompor, ou refazer...
É uma consciência que vem acachapante, excessiva, incompatível, exigente... incoerente com o que é o nosso normal. Difícil vibrar com suas ondas largas, tsunamicas. Difícil se sentir índio nessa floresta aonde não conheço nenhuma planta ou bicho. Dói se sentir humano e no entanto não se sentir herdeiro da vida, na verdade dói se sentir incompatível com a sustentação da vida e da felicidade. Como se fossemos seres amargos demais, seres errados e velhos demais, um desvio infeliz que a vida tomou que a tornou impar dela mesma... Um casal que briga... Uma melancólica ponte partida sem ninguém para reconstruir.
Entre o céu e o inferno fiz a minha casa, os tijolos dela me protegem e me oprimem, lá me elevo e me crucifico, lá eu amo e cometo violências. Incoerente meu pulso tortura a vida e não se afina, não se afilia e se sente de ponta a ponta incompatível, alienígena, estrangeiro. É de novo a velha história do pecado original, só que dessa vez não é por que ninguém me disse, é por que me dói no peito esse desajeitamento de lidar com a vida, por que o meu amargo já desceu pelas artérias até a ponta dos dedos, e quando toca a existência, a faz sub existência, arrancando suas joias pra um baú escuro, guardando flores secas em alfarrábios empoeirados, montando bibliotecas enormes duma historia natural que eu mesmo assassinei...
Trágico, exagerado, excessivo? Fica a advertência que minha pecha e um fascínio pelas frases de efeito... não significa sabedoria, que o meu excesso de perguntas pode não levar à pergunta fundamental ou à reflexão importante, que essas reticencias que insinuam que compartilhamos um segredo podem não ser nada mais que apenas minha falta de resposta. O que não me impede de continuar mais um pouco.
As questões são tão grandes, tão maiores que o sofá da sala, que a mesa e as cadeiras, que as lâmpadas queimadas. Minhas mãos parecem não conseguir tocar, e a clausura de ser esse humano parece a cada minuto mais se fechar, pra ser tão errado talvez fosse melhor não existir. Tola vaidade achar que posso “não existir” pra resolver a equação da dor e disparate.
Por outro lado simplesmente existir, na confiança e na gratidão que isso, mesmo a dor, se mantem por compaixão... difícil. Simplesmente existir na fé que do seio da vida emergirá uma nova força inusitada, apesar da loucura dos tempos, e que as arvores enormes de nossos enganos tombarão cedendo lugar a outras de frutos mais jovens, mais vitais e suculentos. É possível que isso seja assim mesmo, que dessa era que se vai não surja o profeta ou a visão que explique o fim de si mesma. Ela, era, simplesmente se vai, seus sistemas e órgãos falem, seu corpo enorme apodrece e fermenta, aduba raízes sem nenhum valor, plantas sem nenhuma chance, as ultimas mais fraquinhas... permanecem.
Pode ser que o mundo acabe, mas como disse o Lama, o problema é com o Samsara. O Mundo surge no olhar. Pode ser que o mundo continue, e o que vem de bom cresça em igual proporção com o que vem “de ruim”, é só mais roda, é só mais giro. Não se sabe se os que residiam aqui eram mesmo mais felizes, a gente só imagina. Ou mesmo se todo dia era, era mesmo dia de índio. E o mesmo que desceu da espaçonave, pode ter nela retornado pro seu Olimpo indígena. Ficamos aqui com os cacos e impressões, com os sonhos do que é ser da terra, com a terra. Com os sonhos do que é ser uma família humana vivendo num paraíso de dádivas, com os sonhos do que é ser pacifico e bom, com os sonhos de que em algum lugar e em algum tempo já foi possível pensar num amanhã, ou no mínimo aguarda-lo com segurança tranquila, com fé, com confiança... Só que esses seres ideais, dessa sociedade ideal, não nos deixaram escritos ou ideias, penso comigo que eles os que viveram como índios antes de nós foram uma ainda ingênua proto-experiencia dum porvir possível, dum humano possível. Massacrados pelo nosso trator moderno, não deixam a receita de ser como foram, deixam em nós a saudade de quem seriam se os fossemos, hoje, filhos e herdeiros.
Não podemos traduzir os seus textos, só podemos contata-los num espaço sutil e ouvir suas vozes como música da própria terra. Como podemos habitar essas almas como podemos resgatar essa humanidade perdida, e renascer, resignificar o futuro? Como podemos seduzir e acolher cada um dos bilhões de humanos, um a um na trama de sua herança viva numa nação da Terra? Não sei se minha alma reencarna, isso pode nem ser importante, creio no entanto que o sonho da vida se reencarna constantemente, e explora as múltiplas possibilidades abertas a vida e ao bem. As condições auspiciosas que criamos e que deixamos permitem que a vida encontre essas avenidas, e possivelmente se recorde de nós com saudade também. Se essa fosse a Bossa Nova, se esse Chorinho chorasse por isso, se o batuque dos atabaques e do Kuarup nos acordassem para esse mesmo coração, essa seria a contribuição do ser brasileiro nos destinos da terra, muito mais que chegar a Marte, chegar à Vida.
Busco, ou quero... rogo, encontrar a amplidão dum espaço antes e além de toda a separatividade, por ouvir Deus soando compassivo e poderoso na canção da vida para colocar a imensidão dentro do gesto menor. Para em cada ato conseguir traçar nos três tempos o acolhimento da inocência, o perdão da dor e da tragédia, a aceitação do doce e do amargo da vida, o estar inteiro num corpo que vive e morre que dói e goza. Estreito sendo amplo para tecer uma existência plena, educada e lapidada, numa sociedade global e múltipla, aonde Budismo significa um anseio coletivo pela lucidez, pela plenitude da liberdade na manifestação da vida. Aonde viver significa optar pela felicidade.
Guga Casari
Petropolis 22 de julho de 2011
domingo, julho 03, 2011
Pensamentos, aspiração, meditação e sonho - colagem
Recentemente li dois artigos interessantes, um sobre a falsidade do mito do pensamento apocaliptico e fatal e outro sobre a falsidade do mito do pensamento dum futuro glorioso e prometido aos justos. Nada nos safa completamente do enrosco de sermos humanos, entretanto lá no fundo em nossas mais elaboradas e racionais teorias surgem esses mesmos mitos para nos assombrar ou nos confortar. Acrescentaria a esses dois mitos mais dois o da crença num passado glorioso do qual decaimos bem como o de nossa origem em pecado. Não vou entrar aqui no finesse argumento, crendo que voces podem meditar sobre essas questões e entender esses pontos de vista. Eu pessoalmente não creio por exemplo na completa derrocada do capitalismo, mesmo enquanto almeje que a humanidade encontre um modo mais saudável de conviver com a mãe terra, suas dádivas finitas e com todo o resto da irmandade da vida que coabita essa esfera. Nada de bom para mim parece vir da aposta, e no esperar essa derrota, e na final ascenção prometida dos justos e dos bons ao paraiso (e pode-se ai ler, classe operária, os oprimidos, etc). Acho todo o julgamento moral que vem desse monóculo, desse jeito tão resolvido e monológico de encarar a realidade, um pouco cruel.
Penso no modo budista de encarar o que é o tempo, "os 3 tempos", Passado, Presente, Futuro como realidades não distantes, mas desdobramentos de minha propria consciencia, agora no não tempo. Toda a melancolia e enraizamento do passado, toda a promessa ou inquietude do futuro, toda a possibilidade ou imobilidade do presente só são reais agora. Dessa perspectiva qual é a questão real, aonde fica o fulcro mais fundamental aonde apoiar a minha pequena alavanca, se é que minha função é realmente deslocar qualquer coisa rumo a algum desfecho. Num espaço aonde nenhuma referencia existe, aonde não existem alavancas ou fulcros o primeiro arqueiro distendeu um arco e projetou uma uma flecha, a primeira dançarina apoiada em nenhuma superficie se lançou no silencio e fez música. E enquanto a gravidade nos precipita nesse plano e nos dá horizonte, a biologia nos faz verticais para alcançar frutas e estrelas. Dançamos e lançamos flechas, e suponho que o universo não faça conta de nosso começo, ou conte com nosso fim. Apenas surge agora atraves de nós, coom milagre. Um milagre que eleva a folha da grama recem cortada para que brote de novo. A folha de grama não se incomoda que eu pense que a vida está cansada de viver, ela apenas executa o milagre que é e brota de novo, sem fazer questão de explicar nada a ninguem. Sem esperar a derrocada do cortador.
Aguardo e peço por esse mesmo milagre, que me infunda de propósito e animo. Que me oriente por dentro mesmo quando o norte distante me escape da vista. Acredito que lá no fundo minha humanidade não esteja tão perdida, nem meu bom senso ensurdecido que não vá ouvir a voz do bom senso, ou se esqueça de navegar o vento abençoado da vida. Não por que me aguarde um futuro glorioso, ou por que um passado de virtude me garanta bonança, mas por que a vida me quer vivo, nos quer vivos. Por que a vida não nos cobra os pecados, ela só nos guarda bem, eternamente.
Tive um sonho enquanto meditava:
Me encontrava de costas para uma grande muralha que contornava um grande reino. Ao longo de sua enorme extensão lado a lado estátuas de grandes seres assustadores se encostavam nas paredes. Pude cruzar o gigantesco portão, e ao faze-lo percebi que a muralha corcoveava por sobre as montanhas altas em torno dum amplo planalto, a perder de vista, fechando-o ao sul, norte, oeste e leste. O portão era um de quatro e dele seguia uma estrada de pedras até o centro do planalto, como faziam outras tres vindas das outras entradas cardeais. Quatro rios seguiam para o centro, advindos do sudeste, nordeste, sudoeste e noroeste. Magicamente se encontrando no centro em um lago de prata. No centro uma espira gigantesca, um torreão agudo sobre um bulbo colossal apoiado em escadarias titanicas. A viagem tomou dias, passei por inumeras vilas, cheguei a um dos oito portos cruzei o lago cheguei a lha sagrada. Subi uma das desesseis encostas, passei pelo lado da enorme fundação e entrei por um arco monumental decorado de brocados. La dentro havia um palacio enorme, mouro e todo de ouro, com 4 entradas. Subi a escadaria colossal de marmore verde, adentrei o palacio. Encontrei uma enorme piramide e a galguei, no seu topo um imenso cristal iluminava todo o mundo. Cada face sua era a face de um ser da criação, de titãs ao mais infimo atomo, mergulhei nesse cristal, em sua luz. O mundo se dissolveu sem deixar de existir, em cima em baixo, frente verso, dentro fora... todas as faces da criação cantavam. Fiquei lá tempo incontável.
Acordei, desci a piramide, sai do palácio, atravessei o arco e sai da espira, encontrei o porto, cruzei o lago de prata, retornei na estrada e atravessei os povoados e me despedi dos anfitriãos, subi as encostas escarpadas, cruzei o muro, e o portão se fechou. Tinha retornado para o lado sul, para minha horta, pro meu telhado, pros meus instrumentos, pros meus familiares... A luz do cristal me acompanhava, me atravessando desde um centro que eu não posso entender, enquanto resido com os meus, tratando de minhas coisas, no lado sul da muralha guardada por demonios de pedra...
domingo, junho 19, 2011
Mais sedução menos destruição
Entretanto o que acontece, de macho pra macho, é só porrada, ao menos é um exagero de porrada. É tanta macheza que chega a ser homo sádica e o gozo é um cogumelo nuclear ou coisa parecida, e a criação é o arrazamento de tudo que é vivo... Curioso. Um bocado de Shiva, talvez um bocado demais.
Muitos já se debruçaram sobre esse assunto, é que eu acho engraçado de repente, entender do que eles estavam falando. Doida essa coisa, e por que? Por que surge competição corruptora da alma no lugar em que poderia existir admiração, apoio e aprendizado. Por que surge o desprezo pela sabedoria da idade e pela inocência da juventude naqueles que se movem rápidos e ágeis rumo a lugar nenhum? É engraçado como alguns se pavoneiam se enchendo de músculos, ou com um desses carros bully com essas grelhas de bocarra e cheios de parachoques e pneus.
Imagino que um Faraó no Egito fosse uma figura sedutora, tanto para mulheres como para homens. Por outro lado não creio que seja uma “era da mulher” algo a se desejar, como contraponto desse exagero de testosterona. Tipo assim, não quero maltrata-la, mas não quero me dissolver na Mãe Terra.
Confuso?
É assim, homem que não abraça homem, que não admira e até ama (a lá ágape ok?) homem, acaba por conseguir só convencer o outro (homem) na base do obus, do projétil, da espada. Não existirão flechadas mais nobres, que tocam mais fundo na alma do outro. O problema pode ser o feedback, o retorno sabe? Aquela coisa de tocar e ser tocado. Tanto que a guerra está se tornando remota, um verdadeiro terror clinico da perversão homosádica. Falar sem ouvir, vender sem comprar, vida sem música e sem dança. Só pisada no pé
É, só estou fazendo uma colagem, e não, não vou editar nadinha do que está aqui. Mas eu quero aprender a ouvir, pra não ficar desse jeito torto de ser de gênero degenerado, de gênio embrutecido. Falo como uma vagina. Grosseiro... ? Mas elas estão por ai sem voz, ou sem ouvidos, enquanto os caralhos estrupeiam, estuporam tudo. Não me entenda mal, caralhos são coisas de deus também, o que não é? Só que homens não são caralhos e mulheres não são vaginas, mesmo que sejam fortemente influenciados pelos supracitados órgãos e hormônios predominantes...
Como explicar, gentilmente, sem soar grosseiro, mas abrindo picadas nessa floresta de pentelhos pra entender esses chackras lá embaixo, e como se embolam, e como a coisa vira guerra e dominação.
É ao menos curioso, como a coisa toda dessa energia primitiva e natural vai se torcendo. Pode ser que os moldes que temos pra ela simplesmente não mais a contenham, e ela está rasgando as costuras dessa carne de zumbi mal costurada em cima da nossa luz verdadeira.
O que leva a pergunta, vamos sobreviver a nós mesmos? Tinha um filme outro dia, SKYLINE, tenebroso, em que a humanidade simplesmente sucumbia completamente a uma invasão alienígena. Acabava TODO MUNDO. Não tinha marines ou seals, nem um velho pracinha da FEB pra salvar o dia. O pau comeu solto e os homens, dançaram... no filme. Engraçado ver um desejo de morte tão graficamente explicita numa película, dizendo assim que tem uma hora que não dá, e aí? Claro que o Universo não deve ser tão cruel como aquilo que conseguimos imaginar para nós, ele me parece mais mellow e inclinado a promover a vida. Mas e se a gente pisar bastante na bola? Quem sabe a gente não aporrinha bastante o Kosmos e ele se cansa dessa humana bactéria auto importante?
Entenda-me bem! Não é isso que eu quero! Au contraire! Muito pelo avesso! Por que nosso certo é o torto, então o de dentro deve ser o de fora. Pra dizer um finalmente nessa colagem de deficiência de atenção.
Facebook, é fogo no cerrado, e parece indicar que essa é a era de Ágape, de amor de amizade. Quer amor mais fraterno do que o amor do amigo? Eu espero que ao poder compartilhar o que é o interno em cada um nessa nova pescaria com rede, a coisa vá encontrando um ritmo mais natural e a humanidade vá desistindo de realidade catástrofe em prol duma coisa mais bacana e divertida nesse planetinha MA-RA-VI-LHO-SO!
domingo, abril 24, 2011
Um Espaço Sem Vibração
Ali estava
não com uma sensação de vida ou de morte
nem com ritmo de baiao ou de valsa
é um lugar do intersticio, que não é bem o meio, e tambem não é em volta
não é exatamente o espaço, ao menos como entendo espaço
é um lugar que não tem sono, mas tambem não tem estar acordado
não é assim como se fosse quieto, é diferente
mas é tambem mais igual
Eu sento ali, eu sinto ali, eu penso ali. Mas os pensamentos não fazem muita diferença.
Falando assim parece um lugar chato, sem graça. Não é.
Talvez não seja um lugar.
É um lugar aonde as coisas mudam, é um lugar que se não fosse assim um espaço quieto, as coisas não mudariam. Nem existiriam.
Pode ser que se este vazio, pra chamar de alguma coisa, não fosse assim quieto e calmo, não pudesse haver a raiva, ou o amor e não haveria um intervalo entre eu e voce.
Não haveria esse lugar aonde existe eu e voce, aonde a luz bate no meu olhe e me penetra, aonde a luz vira eu enquanto te vejo.
Nesse espaço sou a dor no mundo, e sou a cura. Sou a visão intoleravel e o murmúrio acalentador.
Nesse espaço sou a vida em Avydia. Me divido e não me separo, me avido. Surjo enquanto surge o meu engano, sofro enquanto sofre o meu mundo, perdoo por que surjo apartado.
Quieto, misterio indizivel, bardo estranho, não explicado. Não é a vida, nem é a morte, é distinto e alem, é tão intimo e proximo mais que igual.
Permeia atravessa, difere define, digere engole, circunda determina, apazigua, intensifica. Não vibra, não toca, percebe, ignora.