segunda-feira, agosto 29, 2011

Revoltas na Inglaterra e outras coisas relacionadas

Veja primeiro com subtitulos:
Fala indignada de um senhor Britanico à BBC Londres
ou em ingles no video original:
London Riots. (The BBC will never replay this. Send it out)

Achei interessante como não só o que o Sr Darcus Howe (ele é um radialista das West Indies que vive em Londres a 50 anos) fala soa intensamente verdadeiro, mas como fica claro no "subtexto" de todo o dialogo dele com a "entrevistadora" que existe uma forte "gag order" (uma ordem de ficar mudo) por parte da imprensa e da policia quando se tenta falar mais abertamente. A entrevistadora claramente indica que existem coisas que podem e que não podem ser ditas! Isso é fenomenal, e indica uma ditadura silenciosa e insidiosa que ordena os modos de ser, agir, pensar...

Esse video, para mim mostra claramente a similaridade, a correspondencia direta do fenomeno arabe "tão longe de casa" e o fenomeno do "jovens baderneiros nas vizinhanças de Londres"... que incomodo! E no entanto tão exatamente a mesma coisa. Um mundo que não aguenta mais a exclusividade dos desejos impossiveis vendidos pela midia, e que são o motor economico e a motivação aparente das sociedades modernas. A opressão ditatorial e ideológica em qualquer lugar, com controle de imprensa e dos comportamentos é identica a opressão economica, e talvez mais honesta por ser um inimigo evidente, que na democrática Inglaterra ou qualquer simile paraiso de liberdade para o desejo e consumo. Só que os instrumentos são um pouco diferentes, a Ditadura cala na paulada (é obtusa) a Democracia dos poucos cala por depreciar, ou por desmerecer, ou por francamente ignorar outras vozes, ao mesmo tempo que induz uma frequencia de ordem unida na vibração do alarido das sirenes (sereias) subliminais do consumo.

Conversava com um amigo meu sobre a responsabilidade da propaganda, ele é do ramo. Não sei se voces sabem mas a grande maioria das empresas de propaganda do mundo são controladas de modo draconiano por apenas 2 mega holdings inglesas! Se alguma coisa cheira a Big Brother (do Orwell não da Globo) ai está algo para os paranoicos mastigarem. Esse amigo tem o discurso padrao da midia dos desejos que reza que a propaganda apenas apresenta o produto, ele só é um sucesso se for realmente bom e coisa e tal... Ora propaganda é apenas assim como um anuncio classificado, compre meu carro usado, ou minha bicicleta... Engraçado, não me parece assim, quando na tv anuncios induzem as crianças a infernizarem os pais para comprar isso ou aquilo, estudos dizem que os pais compram. Atordoados e sem reflexão sobre suas vidas na corrida de ratos, que é vista como business as usual, um fato da vida, os pais correm para atender mais essa demanda imprescindivel. Quantas demandas imprescindiveis, exclusivas, por tempo e estoques limitados, únicas e fundamentais, que definem nosso proprio carater e quem somos como pessoas, que podem nos aproximar de modo inexoravel das condições ideais de conforto segurança e paz que almejamos, com aquele parceiro cheiroso, limpinho, eternamente sorridente e bonito, quantas dessas sugestões que nos "produtificam" podemos aguentar? Até que explodam os excluídos que não podem ter o exclusivo, até que sacudam as grades os bárbaros que não entendem que aquilo, não é pra eles... Na verdade aquilo, não é pra ninguem, nenhuma pessoa real cabe naquele sonho, nenhum planeta ou vida suporta a manutenção infinita e distribuída dessa proposta...

Abri uma revista de automóveis, eles me fascinam ao mesmo tempo que me dão muito desgosto. Vejo um Cadillac top de linha que acelera de 0 a 100 em 3 segundos e que faz uma volta em Nurburgring (um famoso circuito de corrida alemão) em 7 minutos, preto, quase 600 cavalos (sem incluir o dono), vejo que a revista toda é feita não do automóvel, mas desse brilho em torno do automóvel, uma coisa inefável que lhe dá um tipo de existencia especial, pois voce tem acesso, enfim, a algo tão incrivel que te transforma, te reveste, e te faz especial. Claro não se fala nada que esses carros saem de estampas mecanicas, e que os parafusos tem roscas iguais e para o mesmo lado de todas as outras roscas e parafusos, ou que a tinta arranha e desbota, e que o brilho e o valor se perde a partir do momento que o bólido sai da agencia. Eu fiquei espantado com a revista, americana e online, sem saber aonde começava a reportagem sobre equipamentos mecanicos de deslocamento em apoio sustentável a existencia social, e aonde estava a ficção e a trama do incensamento de desejos, e a aplicação da camada de um feromonio sutil feito para atrair as bestas para a armadilha fatal.

Para alguns é o Cadillac, para outros o Adidas, ou a ZARA (que emprega os Bolivianos novos-escravos, ilegais nos Sweat shops em SP). Ou a enorme legião chinesa cativa que vai nos inundar de tudo aquilo que queremos até que a gente e o mundo sufoque...

Por esse caminho, e os governos do mundo parecem sempre apenas oferecer mais do mesmo, não vai dar. E se formos por ai me parece que o cenário Mad Max dos humanos num mundo devastado e cheio de sucata não é tão improvável. Imagino que os humanos regredidos e selvagens nesse cenário se tornem caçadores e coletores de latas e trecos que ainda funcionam, gotas de gasolina aqui, um badulaque ali. Trogloditas da nova era... "Recicloditas" em tribos nomades na terra devastada...

Claro isso é um cenário apenas, um exagero gráfico pra tentar criar anticorpos a perfeição fotografica de um mundo de defuntos. Existem muitas outras coisa acontecendo em paralelo, que com sorte emergirão do tecido das relações do Homem consigo mesmo e com o Mundo, e vicejarão por terem um DNA mais afeito a vida nessa nova época. Entretanto, parece que essa é a hora dos fortes, e possivelmente dos pequenos. "Vinde a mim as criancinhas", os ratinhos, as baratas, os humildes... Quem sabe, os perdidos e revoltados... Esses não vem de Cadillac a 250 por hora, esses marcham em tenis furados, lentamente vão chegando a um fim de mundo, o fim de uma festa idiota e banal, que não quer se abrir para a vida.

Sei que as palavras são fortes, e negras, mas na realidade essa é a visão apenas sobre o problema, do modo como eu o entendo. A solução começa no interno de cada um, pela lucidez diante dos fatos, pela simplificação da vida, pelo voto de proteger e ajudar tudo o que é vivo e tudo o que tem sentimento, pelo entendimento do que é a liberdade real, pela pacificação do coração e mente e tantas coisa mágicas e maravilhosas, acessiveis gratuitamente a qualquer um que as desejar.

sexta-feira, julho 22, 2011

A Escolha da Ponte




Onde está a ponte entre nossas melhores aspirações e o “mundo real”. Parece que não pertencemos a esse mundo, brigamos com ele constantemente ao extrair dele nossa subsistência, entretanto também parecemos não pertencer ao mundo das nossas melhores aspirações, visto que muitas vezes nos sentimos em conflito ao não conseguir esboça-las nem nos menores gestos. Incoerentes, incoerentes com a força de vida que nos anima, incoerentes com o que às vezes vemos, de que todos somos um...

Entretanto também “incoerente” é a luz difusa do sol que nos ilumina, deixando sombras às vezes macias, às vezes agudas, mas uma luz intensa que reflete em toda a parte e vem iluminar mesmo aquilo que está por trás. Uma luz que busca superar a limitação natural da luz de ser sempre reta, e reboteia nos cantos pra retornar e iluminar o lugar escuro. Incoerente essa luz, que ao invés de ir embora ao espaço insiste em ficar mais um pouco e nos aquecer, nos espelhos e labirintos de nossas delusões.

Acordo com meu coração apertado, ontem vi mais uma vez o dilema impossível de ser um arquipélago de solidão, onde mora um desejo de juntar as partes e se tornar terra inteira.

Mas não era exatamente assim que eu queria entrar por essas idéias...

Essa manhã Ana acordou chorosa, discutimos ontem, a briga de casal mais boba no meio duma festa de ideais elevados, o dia final do ciclo de diálogos pela educação e pela paz, que tínhamos ido assistir no Rio. Talvez essa seja a metáfora perfeita, sei lá, pra mostrar como tantas e tantas vezes nossas ideias tentam ir numa direção, mas nossas ações e até palavras vão mesmo é pra outro lado... Claro que existem, ou podem existir, razões complementares para a melancolia da Ana, isso me alivia de ser a fonte de toda a sua tristeza nesse momento.

Penso que talvez a razão de termos nos bicado feito periquitos apertados na mesma gaiola possa ser, no fundo, a mesma sensação de não pertencer. De não pertencer àquilo, de não saber o que fazer com aquilo, de ter a cabeça doendo com a dificuldade de conciliar as abstrações mais fantásticas com a realidade de nosso pequeno mundo de casal. Nossa vida doméstica, entre o ruído da geladeira que sempre pede o mercado, e a rotina dos dias que os faz iguais, e que faz o tempo escorrer das mãos sem aquele registro incomum que faz o ritmo da vida ficar mais colorido, mais memorável.

Diante de um Lama, dum Pastor, dum Pedagogo, duma Educadora, e de outra Educadora, dum Catedrático, de uma Santidade Tibetana, nossa vida se apequena, e se revela. Diante do zoom sideral e do microscópio que suas visões nos proporcionam o espaço do meio se revela faltando, carente, desconectado. Uma parte de nós se desmonta frágil, e não sabemos ou não vemos por que recompor, ou refazer...

É uma consciência que vem acachapante, excessiva, incompatível, exigente... incoerente com o que é o nosso normal. Difícil vibrar com suas ondas largas, tsunamicas. Difícil se sentir índio nessa floresta aonde não conheço nenhuma planta ou bicho. Dói se sentir humano e no entanto não se sentir herdeiro da vida, na verdade dói se sentir incompatível com a sustentação da vida e da felicidade. Como se fossemos seres amargos demais, seres errados e velhos demais, um desvio infeliz que a vida tomou que a tornou impar dela mesma... Um casal que briga... Uma melancólica ponte partida sem ninguém para reconstruir.

Entre o céu e o inferno fiz a minha casa, os tijolos dela me protegem e me oprimem, lá me elevo e me crucifico, lá eu amo e cometo violências. Incoerente meu pulso tortura a vida e não se afina, não se afilia e se sente de ponta a ponta incompatível, alienígena, estrangeiro. É de novo a velha história do pecado original, só que dessa vez não é por que ninguém me disse, é por que me dói no peito esse desajeitamento de lidar com a vida, por que o meu amargo já desceu pelas artérias até a ponta dos dedos, e quando toca a existência, a faz sub existência, arrancando suas joias pra um baú escuro, guardando flores secas em alfarrábios empoeirados, montando bibliotecas enormes duma historia natural que eu mesmo assassinei...

Trágico, exagerado, excessivo? Fica a advertência que minha pecha e um fascínio pelas frases de efeito... não significa sabedoria, que o meu excesso de perguntas pode não levar à pergunta fundamental ou à reflexão importante, que essas reticencias que insinuam que compartilhamos um segredo podem não ser nada mais que apenas minha falta de resposta. O que não me impede de continuar mais um pouco.

As questões são tão grandes, tão maiores que o sofá da sala, que a mesa e as cadeiras, que as lâmpadas queimadas. Minhas mãos parecem não conseguir tocar, e a clausura de ser esse humano parece a cada minuto mais se fechar, pra ser tão errado talvez fosse melhor não existir. Tola vaidade achar que posso “não existir” pra resolver a equação da dor e disparate.

Por outro lado simplesmente existir, na confiança e na gratidão que isso, mesmo a dor, se mantem por compaixão... difícil. Simplesmente existir na fé que do seio da vida emergirá uma nova força inusitada, apesar da loucura dos tempos, e que as arvores enormes de nossos enganos tombarão cedendo lugar a outras de frutos mais jovens, mais vitais e suculentos. É possível que isso seja assim mesmo, que dessa era que se vai não surja o profeta ou a visão que explique o fim de si mesma. Ela, era, simplesmente se vai, seus sistemas e órgãos falem, seu corpo enorme apodrece e fermenta, aduba raízes sem nenhum valor, plantas sem nenhuma chance, as ultimas mais fraquinhas... permanecem.

Pode ser que o mundo acabe, mas como disse o Lama, o problema é com o Samsara. O Mundo surge no olhar. Pode ser que o mundo continue, e o que vem de bom cresça em igual proporção com o que vem “de ruim”, é só mais roda, é só mais giro. Não se sabe se os que residiam aqui eram mesmo mais felizes, a gente só imagina. Ou mesmo se todo dia era, era mesmo dia de índio. E o mesmo que desceu da espaçonave, pode ter nela retornado pro seu Olimpo indígena. Ficamos aqui com os cacos e impressões, com os sonhos do que é ser da terra, com a terra. Com os sonhos do que é ser uma família humana vivendo num paraíso de dádivas, com os sonhos do que é ser pacifico e bom, com os sonhos de que em algum lugar e em algum tempo já foi possível pensar num amanhã, ou no mínimo aguarda-lo com segurança tranquila, com fé, com confiança... Só que esses seres ideais, dessa sociedade ideal, não nos deixaram escritos ou ideias, penso comigo que eles os que viveram como índios antes de nós foram uma ainda ingênua proto-experiencia dum porvir possível, dum humano possível. Massacrados pelo nosso trator moderno, não deixam a receita de ser como foram, deixam em nós a saudade de quem seriam se os fossemos, hoje, filhos e herdeiros.

Não podemos traduzir os seus textos, só podemos contata-los num espaço sutil e ouvir suas vozes como música da própria terra. Como podemos habitar essas almas como podemos resgatar essa humanidade perdida, e renascer, resignificar o futuro? Como podemos seduzir e acolher cada um dos bilhões de humanos, um a um na trama de sua herança viva numa nação da Terra? Não sei se minha alma reencarna, isso pode nem ser importante, creio no entanto que o sonho da vida se reencarna constantemente, e explora as múltiplas possibilidades abertas a vida e ao bem. As condições auspiciosas que criamos e que deixamos permitem que a vida encontre essas avenidas, e possivelmente se recorde de nós com saudade também. Se essa fosse a Bossa Nova, se esse Chorinho chorasse por isso, se o batuque dos atabaques e do Kuarup nos acordassem para esse mesmo coração, essa seria a contribuição do ser brasileiro nos destinos da terra, muito mais que chegar a Marte, chegar à Vida.

Busco, ou quero... rogo, encontrar a amplidão dum espaço antes e além de toda a separatividade, por ouvir Deus soando compassivo e poderoso na canção da vida para colocar a imensidão dentro do gesto menor. Para em cada ato conseguir traçar nos três tempos o acolhimento da inocência, o perdão da dor e da tragédia, a aceitação do doce e do amargo da vida, o estar inteiro num corpo que vive e morre que dói e goza. Estreito sendo amplo para tecer uma existência plena, educada e lapidada, numa sociedade global e múltipla, aonde Budismo significa um anseio coletivo pela lucidez, pela plenitude da liberdade na manifestação da vida. Aonde viver significa optar pela felicidade.

Guga Casari

Petropolis 22 de julho de 2011

domingo, julho 03, 2011

Pensamentos, aspiração, meditação e sonho - colagem

Muitas coisas na nossa situação moderna me enchem de agonia e preocupação. A nebulosidade as questões a nossa frente não se dissipa mesmo com as macro analises que nos apresentam tantos analistas modernos. Impossivel encontrar uma clara palavra de ordem, ou nitidez quanto a que ação tomar para o encaminhamento do futuro. A coisa não parece realmente estar em nossas mãos, e entretanto sentimos que nós humanos, justamente em função de nossa manipulação, seremos a causa de nossos sofrimentos futuros... Como podemos ser tão impotentes diante de nós mesmos? Eu realmente não sei responder e isso me entristece.

Recentemente li dois artigos interessantes, um sobre a falsidade do mito do pensamento apocaliptico e fatal e outro sobre a falsidade do mito do pensamento dum futuro glorioso e prometido aos justos. Nada nos safa completamente do enrosco de sermos humanos, entretanto lá no fundo em nossas mais elaboradas e racionais teorias surgem esses mesmos mitos para nos assombrar ou nos confortar. Acrescentaria a esses dois mitos mais dois o da crença num passado glorioso do qual decaimos bem como o de nossa origem em pecado. Não vou entrar aqui no finesse argumento, crendo que voces podem meditar sobre essas questões e entender esses pontos de vista. Eu pessoalmente não creio por exemplo na completa derrocada do capitalismo, mesmo enquanto almeje que a humanidade encontre um modo mais saudável de conviver com a mãe terra, suas dádivas finitas e com todo o resto da irmandade da vida que coabita essa esfera. Nada de bom para mim parece vir da aposta, e no esperar essa derrota, e na final ascenção prometida dos justos e dos bons ao paraiso (e pode-se ai ler, classe operária, os oprimidos, etc). Acho todo o julgamento moral que vem desse monóculo, desse jeito tão resolvido e monológico de encarar a realidade, um pouco cruel.

Penso no modo budista de encarar o que é o tempo, "os 3 tempos", Passado, Presente, Futuro como realidades não distantes, mas desdobramentos de minha propria consciencia, agora no não tempo. Toda a melancolia e enraizamento do passado, toda a promessa ou inquietude do futuro, toda a possibilidade ou imobilidade do presente só são reais agora. Dessa perspectiva qual é a questão real, aonde fica o fulcro mais fundamental aonde apoiar a minha pequena alavanca, se é que minha função é realmente deslocar qualquer coisa rumo a algum desfecho. Num espaço aonde nenhuma referencia existe, aonde não existem alavancas ou fulcros o primeiro arqueiro distendeu um arco e projetou uma uma flecha, a primeira dançarina apoiada em nenhuma superficie se lançou no silencio e fez música. E enquanto a gravidade nos precipita nesse plano e nos dá horizonte, a biologia nos faz verticais para alcançar frutas e estrelas. Dançamos e lançamos flechas, e suponho que o universo não faça conta de nosso começo, ou conte com nosso fim. Apenas surge agora atraves de nós, coom milagre. Um milagre que eleva a folha da grama recem cortada para que brote de novo. A folha de grama não se incomoda que eu pense que a vida está cansada de viver, ela apenas executa o milagre que é e brota de novo, sem fazer questão de explicar nada a ninguem. Sem esperar a derrocada do cortador.

Aguardo e peço por esse mesmo milagre, que me infunda de propósito e animo. Que me oriente por dentro mesmo quando o norte distante me escape da vista. Acredito que lá no fundo minha humanidade não esteja tão perdida, nem meu bom senso ensurdecido que não vá ouvir a voz do bom senso, ou se esqueça de navegar o vento abençoado da vida. Não por que me aguarde um futuro glorioso, ou por que um passado de virtude me garanta bonança, mas por que a vida me quer vivo, nos quer vivos. Por que a vida não nos cobra os pecados, ela só nos guarda bem, eternamente.

Tive um sonho enquanto meditava:

Me encontrava de costas para uma grande muralha que contornava um grande reino. Ao longo de sua enorme extensão lado a lado estátuas de grandes seres assustadores se encostavam nas paredes. Pude cruzar o gigantesco portão, e ao faze-lo percebi que a muralha corcoveava por sobre as montanhas altas em torno dum amplo planalto, a perder de vista, fechando-o ao sul, norte, oeste e leste. O portão era um de quatro e dele seguia uma estrada de pedras até o centro do planalto, como faziam outras tres vindas das outras entradas cardeais. Quatro rios seguiam para o centro, advindos do sudeste, nordeste, sudoeste e noroeste. Magicamente se encontrando no centro em um lago de prata. No centro uma espira gigantesca, um torreão agudo sobre um bulbo colossal apoiado em escadarias titanicas. A viagem tomou dias, passei por inumeras vilas, cheguei a um dos oito portos cruzei o lago cheguei a lha sagrada. Subi uma das desesseis encostas, passei pelo lado da enorme fundação e entrei por um arco monumental decorado de brocados. La dentro havia um palacio enorme, mouro e todo de ouro, com 4 entradas. Subi a escadaria colossal de marmore verde, adentrei o palacio. Encontrei uma enorme piramide e a galguei, no seu topo um imenso cristal iluminava todo o mundo. Cada face sua era a face de um ser da criação, de titãs ao mais infimo atomo, mergulhei nesse cristal, em sua luz. O mundo se dissolveu sem deixar de existir, em cima em baixo, frente verso, dentro fora... todas as faces da criação cantavam. Fiquei lá tempo incontável.

Acordei, desci a piramide, sai do palácio, atravessei o arco e sai da espira, encontrei o porto, cruzei o lago de prata, retornei na estrada e atravessei os povoados e me despedi dos anfitriãos, subi as encostas escarpadas, cruzei o muro, e o portão se fechou. Tinha retornado para o lado sul, para minha horta, pro meu telhado, pros meus instrumentos, pros meus familiares... A luz do cristal me acompanhava, me atravessando desde um centro que eu não posso entender, enquanto resido com os meus, tratando de minhas coisas, no lado sul da muralha guardada por demonios de pedra...

domingo, junho 19, 2011

Mais sedução menos destruição

Essa coisa de sedução é um enrosco, como é a homofobia. Não vou dizer que sou o bem resolvido nessa questão homo-hetero, honestamente, eu tenho minhas (muitas) dificuldades e dúvidas. Mas uma coisa me saltou na mente, e não dá pra evitar comentar. E o que saltou é como a questão da masculinidade a toda a prova só permite que um homem seduza (convença) outro homem através da violência... Seduzir é convencer, é mostrar suas razões, sentimentos, motivações, com a intenção de claro, fazer o outro “entrar na sua” ou ao menos acolhe-lo, aceita-lo, etc. Seduzir é permitir-se ser admirado, é divulgar seu mundo interno, e por que não dizer compartilhar.

Entretanto o que acontece, de macho pra macho, é só porrada, ao menos é um exagero de porrada. É tanta macheza que chega a ser homo sádica e o gozo é um cogumelo nuclear ou coisa parecida, e a criação é o arrazamento de tudo que é vivo... Curioso. Um bocado de Shiva, talvez um bocado demais.

Muitos já se debruçaram sobre esse assunto, é que eu acho engraçado de repente, entender do que eles estavam falando. Doida essa coisa, e por que? Por que surge competição corruptora da alma no lugar em que poderia existir admiração, apoio e aprendizado. Por que surge o desprezo pela sabedoria da idade e pela inocência da juventude naqueles que se movem rápidos e ágeis rumo a lugar nenhum? É engraçado como alguns se pavoneiam se enchendo de músculos, ou com um desses carros bully com essas grelhas de bocarra e cheios de parachoques e pneus.

Imagino que um Faraó no Egito fosse uma figura sedutora, tanto para mulheres como para homens. Por outro lado não creio que seja uma “era da mulher” algo a se desejar, como contraponto desse exagero de testosterona. Tipo assim, não quero maltrata-la, mas não quero me dissolver na Mãe Terra.

Confuso?

É assim, homem que não abraça homem, que não admira e até ama (a lá ágape ok?) homem, acaba por conseguir só convencer o outro (homem) na base do obus, do projétil, da espada. Não existirão flechadas mais nobres, que tocam mais fundo na alma do outro. O problema pode ser o feedback, o retorno sabe? Aquela coisa de tocar e ser tocado. Tanto que a guerra está se tornando remota, um verdadeiro terror clinico da perversão homosádica. Falar sem ouvir, vender sem comprar, vida sem música e sem dança. Só pisada no pé

É, só estou fazendo uma colagem, e não, não vou editar nadinha do que está aqui. Mas eu quero aprender a ouvir, pra não ficar desse jeito torto de ser de gênero degenerado, de gênio embrutecido. Falo como uma vagina. Grosseiro... ? Mas elas estão por ai sem voz, ou sem ouvidos, enquanto os caralhos estrupeiam, estuporam tudo. Não me entenda mal, caralhos são coisas de deus também, o que não é? Só que homens não são caralhos e mulheres não são vaginas, mesmo que sejam fortemente influenciados pelos supracitados órgãos e hormônios predominantes...

Como explicar, gentilmente, sem soar grosseiro, mas abrindo picadas nessa floresta de pentelhos pra entender esses chackras lá embaixo, e como se embolam, e como a coisa vira guerra e dominação.

É ao menos curioso, como a coisa toda dessa energia primitiva e natural vai se torcendo. Pode ser que os moldes que temos pra ela simplesmente não mais a contenham, e ela está rasgando as costuras dessa carne de zumbi mal costurada em cima da nossa luz verdadeira.

O que leva a pergunta, vamos sobreviver a nós mesmos? Tinha um filme outro dia, SKYLINE, tenebroso, em que a humanidade simplesmente sucumbia completamente a uma invasão alienígena. Acabava TODO MUNDO. Não tinha marines ou seals, nem um velho pracinha da FEB pra salvar o dia. O pau comeu solto e os homens, dançaram... no filme. Engraçado ver um desejo de morte tão graficamente explicita numa película, dizendo assim que tem uma hora que não dá, e aí? Claro que o Universo não deve ser tão cruel como aquilo que conseguimos imaginar para nós, ele me parece mais mellow e inclinado a promover a vida. Mas e se a gente pisar bastante na bola? Quem sabe a gente não aporrinha bastante o Kosmos e ele se cansa dessa humana bactéria auto importante?

Entenda-me bem! Não é isso que eu quero! Au contraire! Muito pelo avesso! Por que nosso certo é o torto, então o de dentro deve ser o de fora. Pra dizer um finalmente nessa colagem de deficiência de atenção.

Facebook, é fogo no cerrado, e parece indicar que essa é a era de Ágape, de amor de amizade. Quer amor mais fraterno do que o amor do amigo? Eu espero que ao poder compartilhar o que é o interno em cada um nessa nova pescaria com rede, a coisa vá encontrando um ritmo mais natural e a humanidade vá desistindo de realidade catástrofe em prol duma coisa mais bacana e divertida nesse planetinha MA-RA-VI-LHO-SO!

domingo, abril 24, 2011

Um Espaço Sem Vibração

Ali estava

não com uma sensação de vida ou de morte

nem com ritmo de baiao ou de valsa

é um lugar do intersticio, que não é bem o meio, e tambem não é em volta

não é exatamente o espaço, ao menos como entendo espaço

é um lugar que não tem sono, mas tambem não tem estar acordado

não é assim como se fosse quieto, é diferente

mas é tambem mais igual

 

Eu sento ali, eu sinto ali, eu penso ali. Mas os pensamentos não fazem muita diferença.

Falando assim parece um lugar chato, sem graça. Não é.

Talvez não seja um lugar.

É um lugar aonde as coisas mudam, é um lugar que se não fosse assim um espaço quieto, as coisas não mudariam. Nem existiriam.

Pode ser que se este vazio, pra chamar de alguma coisa, não fosse assim quieto e calmo, não pudesse haver a raiva, ou o amor e não haveria um intervalo entre eu e voce.

Não haveria esse lugar aonde existe eu e voce, aonde a luz bate no meu olhe e me penetra, aonde a luz vira eu enquanto te vejo.

Nesse espaço sou a dor no mundo, e sou a cura. Sou a visão intoleravel e o murmúrio acalentador.

Nesse espaço sou a vida em Avydia. Me divido e não me separo, me avido. Surjo enquanto surge o meu engano, sofro enquanto sofre o meu mundo, perdoo por que surjo apartado.

Quieto, misterio indizivel, bardo estranho, não explicado. Não é a vida, nem é a morte, é distinto e alem, é tão intimo e proximo mais que igual.

Permeia atravessa, difere define, digere engole, circunda determina, apazigua, intensifica. Não vibra, não toca, percebe, ignora.

quarta-feira, março 23, 2011

A Visita de Obama - Resposta a critica de antiamericanismo - O Indio

Com a visita de Obama outras coisas também batem a porta, buscando acolhimento e recepção. Não posso deixar de responder a critica sobre o antiamericanismo que saltou para alguns nas minhas palavras. São partes desse meu discurso que foram entendidas como contendo imagens retrogradas. Talvez eu estivesse tentando fazer graça a um publico cativo, e buscando a concordância que surge da rejeição. Talvez, como um café requentado não se presta para o prazer, o amargo da forma ultrapassada de exprimir não deixa passar um sentimento de graça.

Dentro da visão que sinceramente busco projetar está uma palavra de ordem da Abordagem Integral – “Transcender e Incluir”. E hoje escutei uma interpretação de transcender em inglês (de todas as línguas...) Trance – End: encerrar o transe. Acabar com o aspecto hipnótico da separatividade, e assumir a responsabilidade e o cuidado com a relação...

Não quero nem preciso defender as formas de expressão e as perspectivas que usei – Imperador, Império, Augusto, Tribo – que remetem a nacionalidades, a uma visão particular da história, a ideologias e a formas estreitas de ver. Acho importante traze-las a baila, melhor seria se o humor ficasse mais aparente e a rizada sobre o ridículo dessa relação fosse impulso para a conquista de novas perspectivas. Pode ser que meu texto e eu mesmo não estejamos lá muito bem humorados, perdão. Uma expressão Americana diz “Deixe que os cachorros que dormem continuem deitados”. Isso pode ser sábio no inicio para não incensar um passado de mágoa, mas eventualmente a gente tem que falar da mordida do cachorro, isso é terapia e cura.

No Chile, ouvi, cobrou-se de Obama uma posição pela participação Americana na ditadura, parece que não houve resposta. É e duro reatar laços com gente que ficou magoada, mas que apesar disso se abre ao contato e ao dialogo. Por isso ainda aparece esse nacionalismo subjacente a minha gozação, nacionalismo que gostaria estivesse mais evoluído em mim mesmo isento de etnocentrismos e ideologia. O contato traz a lembrança inevitável duma mágoa imaginada e ou real, do ressentimento, e por que não da inveja. Outra expressão “Todo mundo de olho no Numero Um”, por admiração e por inveja/ressentimento, pelo desejo de seguir e pelo medo de ser atropelado... São sentimentos rejeitados, mantidos na sombra, que inesperadamente visitam e tomam conta do discurso neste e naquele acorde.

Ora, o mundo não é mais um lugar de Números Um, se alguém é Numero Um nessa frágil bolota é a vida e suas inter-relações. Cada vez fica mais evidente que o que importa é o movimento da criação que a gente identifica vindo da intencionalidade e “projeto” de um ser (ou de um não ser) magnifico e todo poderoso, a Teia da Vida para dar um nome. O Numero Um tem que ser todas as relações e estruturas que surgem desse local trans-material, dessa força mágica e imensurável que brota em Tsunamis, em paixões, na formiga e no elefante... A gente, partícula, brinca ou às vezes leva a serio essa dança. Um filosofo, Americano, Alan Watts, diz que como de uma arvore de maçãs pode se dizer que “maçanzeia” (dá maçãs, se torna maçãs), podermos do nosso planeta dizer que “Genteia” se torna em gente, dele brota essa coisa que somos enquanto somos ele...

Então claro diante desse aspecto amplo não existe essa divisão, e a experiência Americana e a Brasileira são a experiência das gentes e do planeta no seu processo de “Gentear”. São partes desse genteamento que está querendo dançar e dialogar. Creio cada vez mais que ainda não nos tornamos a gente que Gaia sonha. Sinto nos ossos-bussola, lá dentro, como profecia que está para surgir uma Humanidade nova, igual e diferente. Daí que me empolga imaginar que Brasil e EUA possam se afinar, para mim o novo mundo surgiu aqui Feminino e lá Masculino, e para mim a própria forma dos continentes mostra um casal de mãos dadas, dançando.

Por que esse processo da história pode ser um namoro e um acasalamento de ideias e modos de ser, de reprodução e mutação. O que é visto como dialético se a gente olhar com clareza, deveria ser chamado de Trialético. Da tese à antítese à síntese, a transformação da história resulta em evolução. E evoluir é revisar conceitos, abandonar cidadelas, criar novas formas mais inclusivas, vitais e complexas. Evoluir é ampliar o espectro de aceitação, de possibilidades, e da capacidade de aceitar paradoxos. Temos a despeito de nossas piores intenções, evoluído. Mesmo que às vezes isso pareçamos ter sido um erro terrível, e que a Terra estaria melhor sem nós, é vaidade achar que sabemos o destino que a criação imanta em nossos ossos, e por que investe e sustenta e nos “adquire” nesse processo temporal do próprio solo bruto do planeta. Sensato é ouvir seu impulso gentil, e nos transformar.

O paradoxo da visita é o sentimento da necessidade de encontrar um nacionalismo saudável e inteligente, um verdadeiro e nobre sentimento de Tribo Brasilis, para daí se adquirir a “tração” de uma perspectiva madura e autônoma, auto determinada. Para então se poder encarar de frente uma igualdade e uma parceria com esse povo que a gente inveja e admira, que a gente teme e ao mesmo tempo quer amar. It takes two to samba. Projetar-mo-nos no mundo e reconhecendo-nos sermos reconhecidos, só acontecerá pelo processo interno de reavaliação da nossa História, pelos processos democráticos, e pela erradicação da mentira e falsidade da corrupção, pelo abandonar o entreguismo, o coronelismo e a submissão bovina, a preguiça e os maus modos.... Temos nos Americanos do Norte alguns bons exemplos a seguir nesse sentido. Nosso caminho para nos tornar uma sociedade de iguais, aqui dentro, é o caminho de nossa estatura, “la fora”. A admiração e o interesse humano genuíno que podemos estar despertando no mundo vêm das pequenas transformações e revisões recentes em nosso modo de ser. Ainda há um longuíssimo caminho a frente, e reclamar do passado, de fato, não vai ajudar.

Por isso, em revisão, eu diria que se o Índio que imaginei como o ponto de vista com que iniciei meu outro texto sobre a visita fosse o ser lucido, compassivo e desapegado que gostaria que fosse olharia para toda a parafernália cibernética e militar, para todo o cerimonial, sedução e pompa e veria através disso. Veria com compaixão o dilema do homem que visitando outras terras ordena um ataque à outra nação, e a prisão complexa investida no seu cargo politico. Seus dilemas pessoais e suas alianças. Veria como os povos são iguais no seu desejo de melhorar. Teria empatia pelo medo blindado e defendido, veria a limitação da ignorância deste e daquele, veria a futilidade da encenação e o proposito com que é encenada. Faria uma dança, pedindo uma chuva de bênçãos para cada um no planeta. Ainda assim veria o desenrolar do drama com calma e equanimidade. Impacto zero, não ia acender nenhuma lâmpada, nem precisar dum bunker de concreto. Camiseta e shorts ia aceitar o pastel do botequim cuidando com o mero olhar de cada um na Cinelândia. Reinando num mundo interno que lhe permite ver tudo exatamente como é, invisível como o ar esse Índio se refugia num espaço muito diferente, supera todas as defesas e penetra, oxigenando igualmente cada vida.

terça-feira, março 22, 2011

Respostas ao texto "A Visita de Obama" 3

Numa nota mais consonante recebi o comentário de Viviane Moura

Boa tarde Guga,

Admiro muito a sua maneira de se expressar sobre as realidades do mundo.
Em meio a um tempo cada vez mais escasso e um mundo apressado, poucas pessoas se dedicam à arte de observar e refletir sobre suas percepções. Ano passado recebi um texto seu falando da Marina. Fiquei emocionada ao ver que o meu "sentir" encontrava ecos nos seus sentimentos. Marina não foi para o segundo turno, mas TUDO o que ela representa é tão mais forte e belo. E por falar em Marina, ela é justamente o retrato do que o nosso país tem feito, um trabalho de formiga, mas permanente. 20% da nossa nação (porcentagem do PV nas eleições) equivalem a uma populaçao inteira de muitos países no mundo. Como você diz: "Nós estamos conquistando nosso lugar no mundo à medida que o interpretamos e nele vivemos de nosso modo autêntico, na medida em que trabalhamos para resolver nossos problemas, e em comparação com nossos irmãos gêmeos do novo mundo, na medida em que não causamos mal pela imposição de nossos interesses sobre os outros países do mundo." O Brasil elegeu um operário para o posto mais importante do país. Com todas as controvérsias em torno do personagem Lula, eu não tenho a menor dúvida de que a história do nosso país mudou a partir da visão desse homem. Obama, esse outro personagem extremamente carismático e representante de valores fortes, será também alguém que mudará a visão de negros e brancos, de americanos "texanos" e de tantos seres humanos que insistem em ideias que separam. Como você diz, é bom demais se sentir parte de uma mistura : "Sinto-me hoje bem mais junto e misturado que antes, e isso é bom."

Que venham outros Obamas, outras Marinas, outros Lulas para engrandecerem a história da humanidade!

Abraço carinhoso.
Paz, amor e poesia,
Viviane.

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Olá Viviane,

Obrigado pelo comentário. É sempre polemico falar sobre esses assuntos, sempre existem muitas dimensões e as vezes fica difícil exprimir com clareza, humildade e até coragem a verdade que a gente sente no coração. Como a cada um salta a vista um aspecto diferente as vezes depois pode ser dificil escutar as réplicas, que podem não estar alinhadas com aquilo que a gente quis expressar, ou que mostram a incoerência desde ou daquele ponto de vista que expressamos. Mas é bom, muito bom saber que as vezes a gente consegue ressoar um acorde harmônico e positivo noutras mentes e corações.

Apesar da certa gozação do meu texto, sim que venham muitos Obamas, ele e outros iguais são bem vindos.

Um Grande Abraço

Guga

P.S: Tomei a liberdade de publicar esse seu email e ou outros anteriores, se alguem se sentir incomodado pode me dizer que eu retiro a postagem.