domingo, abril 24, 2011

Um Espaço Sem Vibração

Ali estava

não com uma sensação de vida ou de morte

nem com ritmo de baiao ou de valsa

é um lugar do intersticio, que não é bem o meio, e tambem não é em volta

não é exatamente o espaço, ao menos como entendo espaço

é um lugar que não tem sono, mas tambem não tem estar acordado

não é assim como se fosse quieto, é diferente

mas é tambem mais igual

 

Eu sento ali, eu sinto ali, eu penso ali. Mas os pensamentos não fazem muita diferença.

Falando assim parece um lugar chato, sem graça. Não é.

Talvez não seja um lugar.

É um lugar aonde as coisas mudam, é um lugar que se não fosse assim um espaço quieto, as coisas não mudariam. Nem existiriam.

Pode ser que se este vazio, pra chamar de alguma coisa, não fosse assim quieto e calmo, não pudesse haver a raiva, ou o amor e não haveria um intervalo entre eu e voce.

Não haveria esse lugar aonde existe eu e voce, aonde a luz bate no meu olhe e me penetra, aonde a luz vira eu enquanto te vejo.

Nesse espaço sou a dor no mundo, e sou a cura. Sou a visão intoleravel e o murmúrio acalentador.

Nesse espaço sou a vida em Avydia. Me divido e não me separo, me avido. Surjo enquanto surge o meu engano, sofro enquanto sofre o meu mundo, perdoo por que surjo apartado.

Quieto, misterio indizivel, bardo estranho, não explicado. Não é a vida, nem é a morte, é distinto e alem, é tão intimo e proximo mais que igual.

Permeia atravessa, difere define, digere engole, circunda determina, apazigua, intensifica. Não vibra, não toca, percebe, ignora.

quarta-feira, março 23, 2011

A Visita de Obama - Resposta a critica de antiamericanismo - O Indio

Com a visita de Obama outras coisas também batem a porta, buscando acolhimento e recepção. Não posso deixar de responder a critica sobre o antiamericanismo que saltou para alguns nas minhas palavras. São partes desse meu discurso que foram entendidas como contendo imagens retrogradas. Talvez eu estivesse tentando fazer graça a um publico cativo, e buscando a concordância que surge da rejeição. Talvez, como um café requentado não se presta para o prazer, o amargo da forma ultrapassada de exprimir não deixa passar um sentimento de graça.

Dentro da visão que sinceramente busco projetar está uma palavra de ordem da Abordagem Integral – “Transcender e Incluir”. E hoje escutei uma interpretação de transcender em inglês (de todas as línguas...) Trance – End: encerrar o transe. Acabar com o aspecto hipnótico da separatividade, e assumir a responsabilidade e o cuidado com a relação...

Não quero nem preciso defender as formas de expressão e as perspectivas que usei – Imperador, Império, Augusto, Tribo – que remetem a nacionalidades, a uma visão particular da história, a ideologias e a formas estreitas de ver. Acho importante traze-las a baila, melhor seria se o humor ficasse mais aparente e a rizada sobre o ridículo dessa relação fosse impulso para a conquista de novas perspectivas. Pode ser que meu texto e eu mesmo não estejamos lá muito bem humorados, perdão. Uma expressão Americana diz “Deixe que os cachorros que dormem continuem deitados”. Isso pode ser sábio no inicio para não incensar um passado de mágoa, mas eventualmente a gente tem que falar da mordida do cachorro, isso é terapia e cura.

No Chile, ouvi, cobrou-se de Obama uma posição pela participação Americana na ditadura, parece que não houve resposta. É e duro reatar laços com gente que ficou magoada, mas que apesar disso se abre ao contato e ao dialogo. Por isso ainda aparece esse nacionalismo subjacente a minha gozação, nacionalismo que gostaria estivesse mais evoluído em mim mesmo isento de etnocentrismos e ideologia. O contato traz a lembrança inevitável duma mágoa imaginada e ou real, do ressentimento, e por que não da inveja. Outra expressão “Todo mundo de olho no Numero Um”, por admiração e por inveja/ressentimento, pelo desejo de seguir e pelo medo de ser atropelado... São sentimentos rejeitados, mantidos na sombra, que inesperadamente visitam e tomam conta do discurso neste e naquele acorde.

Ora, o mundo não é mais um lugar de Números Um, se alguém é Numero Um nessa frágil bolota é a vida e suas inter-relações. Cada vez fica mais evidente que o que importa é o movimento da criação que a gente identifica vindo da intencionalidade e “projeto” de um ser (ou de um não ser) magnifico e todo poderoso, a Teia da Vida para dar um nome. O Numero Um tem que ser todas as relações e estruturas que surgem desse local trans-material, dessa força mágica e imensurável que brota em Tsunamis, em paixões, na formiga e no elefante... A gente, partícula, brinca ou às vezes leva a serio essa dança. Um filosofo, Americano, Alan Watts, diz que como de uma arvore de maçãs pode se dizer que “maçanzeia” (dá maçãs, se torna maçãs), podermos do nosso planeta dizer que “Genteia” se torna em gente, dele brota essa coisa que somos enquanto somos ele...

Então claro diante desse aspecto amplo não existe essa divisão, e a experiência Americana e a Brasileira são a experiência das gentes e do planeta no seu processo de “Gentear”. São partes desse genteamento que está querendo dançar e dialogar. Creio cada vez mais que ainda não nos tornamos a gente que Gaia sonha. Sinto nos ossos-bussola, lá dentro, como profecia que está para surgir uma Humanidade nova, igual e diferente. Daí que me empolga imaginar que Brasil e EUA possam se afinar, para mim o novo mundo surgiu aqui Feminino e lá Masculino, e para mim a própria forma dos continentes mostra um casal de mãos dadas, dançando.

Por que esse processo da história pode ser um namoro e um acasalamento de ideias e modos de ser, de reprodução e mutação. O que é visto como dialético se a gente olhar com clareza, deveria ser chamado de Trialético. Da tese à antítese à síntese, a transformação da história resulta em evolução. E evoluir é revisar conceitos, abandonar cidadelas, criar novas formas mais inclusivas, vitais e complexas. Evoluir é ampliar o espectro de aceitação, de possibilidades, e da capacidade de aceitar paradoxos. Temos a despeito de nossas piores intenções, evoluído. Mesmo que às vezes isso pareçamos ter sido um erro terrível, e que a Terra estaria melhor sem nós, é vaidade achar que sabemos o destino que a criação imanta em nossos ossos, e por que investe e sustenta e nos “adquire” nesse processo temporal do próprio solo bruto do planeta. Sensato é ouvir seu impulso gentil, e nos transformar.

O paradoxo da visita é o sentimento da necessidade de encontrar um nacionalismo saudável e inteligente, um verdadeiro e nobre sentimento de Tribo Brasilis, para daí se adquirir a “tração” de uma perspectiva madura e autônoma, auto determinada. Para então se poder encarar de frente uma igualdade e uma parceria com esse povo que a gente inveja e admira, que a gente teme e ao mesmo tempo quer amar. It takes two to samba. Projetar-mo-nos no mundo e reconhecendo-nos sermos reconhecidos, só acontecerá pelo processo interno de reavaliação da nossa História, pelos processos democráticos, e pela erradicação da mentira e falsidade da corrupção, pelo abandonar o entreguismo, o coronelismo e a submissão bovina, a preguiça e os maus modos.... Temos nos Americanos do Norte alguns bons exemplos a seguir nesse sentido. Nosso caminho para nos tornar uma sociedade de iguais, aqui dentro, é o caminho de nossa estatura, “la fora”. A admiração e o interesse humano genuíno que podemos estar despertando no mundo vêm das pequenas transformações e revisões recentes em nosso modo de ser. Ainda há um longuíssimo caminho a frente, e reclamar do passado, de fato, não vai ajudar.

Por isso, em revisão, eu diria que se o Índio que imaginei como o ponto de vista com que iniciei meu outro texto sobre a visita fosse o ser lucido, compassivo e desapegado que gostaria que fosse olharia para toda a parafernália cibernética e militar, para todo o cerimonial, sedução e pompa e veria através disso. Veria com compaixão o dilema do homem que visitando outras terras ordena um ataque à outra nação, e a prisão complexa investida no seu cargo politico. Seus dilemas pessoais e suas alianças. Veria como os povos são iguais no seu desejo de melhorar. Teria empatia pelo medo blindado e defendido, veria a limitação da ignorância deste e daquele, veria a futilidade da encenação e o proposito com que é encenada. Faria uma dança, pedindo uma chuva de bênçãos para cada um no planeta. Ainda assim veria o desenrolar do drama com calma e equanimidade. Impacto zero, não ia acender nenhuma lâmpada, nem precisar dum bunker de concreto. Camiseta e shorts ia aceitar o pastel do botequim cuidando com o mero olhar de cada um na Cinelândia. Reinando num mundo interno que lhe permite ver tudo exatamente como é, invisível como o ar esse Índio se refugia num espaço muito diferente, supera todas as defesas e penetra, oxigenando igualmente cada vida.

terça-feira, março 22, 2011

Respostas ao texto "A Visita de Obama" 3

Numa nota mais consonante recebi o comentário de Viviane Moura

Boa tarde Guga,

Admiro muito a sua maneira de se expressar sobre as realidades do mundo.
Em meio a um tempo cada vez mais escasso e um mundo apressado, poucas pessoas se dedicam à arte de observar e refletir sobre suas percepções. Ano passado recebi um texto seu falando da Marina. Fiquei emocionada ao ver que o meu "sentir" encontrava ecos nos seus sentimentos. Marina não foi para o segundo turno, mas TUDO o que ela representa é tão mais forte e belo. E por falar em Marina, ela é justamente o retrato do que o nosso país tem feito, um trabalho de formiga, mas permanente. 20% da nossa nação (porcentagem do PV nas eleições) equivalem a uma populaçao inteira de muitos países no mundo. Como você diz: "Nós estamos conquistando nosso lugar no mundo à medida que o interpretamos e nele vivemos de nosso modo autêntico, na medida em que trabalhamos para resolver nossos problemas, e em comparação com nossos irmãos gêmeos do novo mundo, na medida em que não causamos mal pela imposição de nossos interesses sobre os outros países do mundo." O Brasil elegeu um operário para o posto mais importante do país. Com todas as controvérsias em torno do personagem Lula, eu não tenho a menor dúvida de que a história do nosso país mudou a partir da visão desse homem. Obama, esse outro personagem extremamente carismático e representante de valores fortes, será também alguém que mudará a visão de negros e brancos, de americanos "texanos" e de tantos seres humanos que insistem em ideias que separam. Como você diz, é bom demais se sentir parte de uma mistura : "Sinto-me hoje bem mais junto e misturado que antes, e isso é bom."

Que venham outros Obamas, outras Marinas, outros Lulas para engrandecerem a história da humanidade!

Abraço carinhoso.
Paz, amor e poesia,
Viviane.

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Olá Viviane,

Obrigado pelo comentário. É sempre polemico falar sobre esses assuntos, sempre existem muitas dimensões e as vezes fica difícil exprimir com clareza, humildade e até coragem a verdade que a gente sente no coração. Como a cada um salta a vista um aspecto diferente as vezes depois pode ser dificil escutar as réplicas, que podem não estar alinhadas com aquilo que a gente quis expressar, ou que mostram a incoerência desde ou daquele ponto de vista que expressamos. Mas é bom, muito bom saber que as vezes a gente consegue ressoar um acorde harmônico e positivo noutras mentes e corações.

Apesar da certa gozação do meu texto, sim que venham muitos Obamas, ele e outros iguais são bem vindos.

Um Grande Abraço

Guga

P.S: Tomei a liberdade de publicar esse seu email e ou outros anteriores, se alguem se sentir incomodado pode me dizer que eu retiro a postagem.

Respostas ao texto "A Visita de Obama" 2

Essa é uma conversa via email com um amigo meu o José Bernardo Filho, ainda em curso...

José Falando em resposta ao texto A Visita de Obama:

Guga,

Nós é que olhamos para eles como Deuses. Se o discurso é aquele contra-americano, veja que o Brasil só foi comprado pelos americanos por que os brasileiros o venderam. No chile aconteceu a mesma coisa s´que lá eles tão bem melhores que a gente.

A questão do esquema de segurança ocorre por causa da decisão do Conselho de segurança da Onu ter liberado o uso da forca contra a Líbia. Consequentemente o esquema em volta do Obama aumenta, normal.

Sorry, mas esse discurso anti imperio nao rola mais. E isso o Lula fez muito bem para os brasileiros, parem de reclamar que o Brasil pode muito, basta investir em educacão e saber explorar de maneira sustentável a Amazônia.

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Eu Falando:

Oi Zé,

Não sei se vc leu todo o texto. Reconheço que é possivel o ler como anti-americano. É dificil falar no assunto sem polarizar e por isso posso não ter tido sucesso, mas o que estou tentando falar é bem mais que anti americanismo Claro essa fase anti coisa do é passado, o que advogo é a maturidade brasileira e tento desvelar o showmanship pra impressionar índio que os americanos sabem fazer muito bem, melhor que qualquer um no mundo. Sim nós os olhamos como Deuses, só com a desconstrução critica e a sacaneando dá pra ver isso, e por outro lado, eles não se incomodam e buscam de todo modo reforçar a simbologia do poderio e da dominação. Não acho que o Brasil foi simplesmente vendido por que os Brasileiros o quiseram vender, houve toda uma politica encoberta de deposição e re-locação de governantes patrocinada na America Latina e no Oriente Médio. Isso não é conspirologia, é apenas fato histórico e consequencia de um politica pragmática de controle e dominação. Acredito hoje que o comunismo e socialismo que identificamos com Lula aqui são extemporâneos e pueris por que foram podados, rebrotando tardios, por que a experiência politica natural de um povo foi atrasada.

O esquema de segurança do Obama é valido e necessário, mas também demonstrativo da ridícula dimensão a que chegou o temor Americano. O serviço secreto quis revistar até ministro de estado, eu acho palhaçada. Sinto, não concordo que basta apenas investir na educação, é importantíssimo, mas fazer um pais com tantas dimensões conflitantes crescer democraticamente e se afirmar num mundo de forças que as se opõe a isso positivamente toma trabalhar muitas outras frentes. Kadafi só se tornou desinteressante por que o povo finalmente conseguiu voz, antes deixavam ele quieto, petróleo rolando com povo quieto tudo bem.

Por isso acho que manter uma atitude de resguardo e tranquilidade diante da visita é a melhor posição. Apesar de afirmar que lidar com Americano não é bolinho, acho que eles são os melhores e mais verdadeiros para se lidar, mas para isso temos que galgar vários degraus de esperteza. A promessa de ser tratado de igual para igual não é uma concessão é uma conquista. Acho que a estatura para lidar com eles tem que vir duma reapreciação de nós mesmos, e em certos casos por uma desmistificação dos símbolos de poder e as bugigangas inuteis que eles trazem. Essa magia não deve funcionar mais, nem pelos afagos no ego futebolistico ou outra coisa parecida. O discurso sedutor foi estudado e premeditado por especialistas em psicologia e brasiologia, pode e deve conter algo de verdade, mas seguro morreu de velho. O que ele vai cantar pro Chile é igualmente sedutor...

O Chile e o Brasil são realidades e histórias muito diferentes, o Brasil tem graves pecados históricos e problemas de constituição da população que o Chile não teve, e apesar disso é uma economia maior, mais criativa e mais plural. Mais difícil também, mas você não vai me ver no virtuoso Chile. Não sou pró Dilma, nem Anti Americano, se você leu todo o texto talvez venha a notar isso, o problema é que nossa ótica privilegiada, brancos imigrantes protegidos e gordinhos, não nos facilita a entender o problema Brasileiro, e é claro que a gente parece se polarizar em antipatias anti isso ou pro aquilo. Eu nunca diria Fora Obama, eu apesar da sacaneação o considero muito bem vindo. Me emocionei pela esperança de ser realmente possivel o Brasil lidar em igualdade com os EUA, e com os gestos de simpatia. Gostei do discurso no Municipal, discurso estudadissimo, mas não aceito que ele venha dizer que o Futuro chegou, são palavras que somadas ao gesto da visita fazem parecer algo mais, que o Futuro chegou por que eles hoje nos aceitarão como parceiros iguais. Uma concessão? Essa igualdade só rola por que o Brasil encontrou, a despeito da ajuda ou apreciação Americana, e provavelmente muito devido a ter sido sobejamente ignorado pelo Bush, um lugar no mundo. Fazendo merda é claro, mas eles não fizeram tantas e piores? Cometemos Irã e Chávez e outras bostas, quantas merdas não são responsabilidade da America em G-8. Lula foi uma merda, e estranhamente foi bom, Dilma me assustou e estranhamente me dá esperança. O caminho certo é uma coisa esquisita.

Eu não estou reclamando que o Brasil pode muito, a verdade é que nos meus 48 anos de idade essa é a primeira vez que começo de fato a crer que o Brasil pode alguma coisa. E não em oposição ao Americano, foda-se isso. Nem em submissão ao modelo moderno para a economia e o mundo e sim na proposição de um modo novo, que ainda não foi concebido. Principalmente que não foi concebido por quem criou o problema nuclear e hoje o quer limitar, por quem responde pela maior emissão de poluentes e não as consegue reduzir, e que se fosse nos vender uma ideia pro mundo seria de algo parecido com o que já tem e que começam a ver que não funciona. A solução não virá das cúpulas, nem dos governos, deve espero, emergir das populações conectadas, e dos cidadãos mundiais. Ai sim vamos poder dizer que Americanos e Brasileiros, e todos os outros nesse planeta são iguais. Fora isso é tudo agenda politica do Leviatã, agenda econômica, Politica do Espetáculo e manutenção do Status Quo entrópico.

Melhor nem pensar em explorar a Amazonia, Amiguinhos Americanos já estão fazendo isso por nós...

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José Falando, em 2 emails completou esses texto com 2 referencias, uma a estudo sobre a exploração da Amazonia e ourtra a artigo falando da queda da economia americana:

Sim, justamente reapreciação de nós mesmos. O que fazer num país onde elite virou uma palavra associada a dinheiro ? Elite é quem está no poder ou quem tem conhecimento. Nossa elite se calou faz tempo...

"...A solução não virá das cúpulas, nem dos governos, deve espero, emergir das populações conectadas, e dos cidadãos mundiais. Ai sim vamos poder dizer que Americanos e Brasileiros, e todos os outros nesse planeta são iguais. Fora isso e tudo agenda politica do Leviatã, agenda econômica, Politica do Espetáculo e manutenção do Status Quo entrópico..."

E os 20% de abstenções + 7% de brancos e nulos nas eleições passadas ? quem esta falando pra esse pessoal ? Ninguém.....

Eles não tão na Amazônia, ainda. Mas, se para lá forem será por causa de nossa secular incapacidade de agregar valor a nossos produtos. Dai minha insistência em educação. Sem educação de qualidade não ha inovação, e sem inovação não há competitividade e vamos continuar a exportar soja e picanha pro resto dos tempos.

Eles tão fodidos, Guga, por isso vieram pra gente.

Agora, o Lula falou que o pré-sal é o futuro da nação e que o $$ seria investido em educação, pesquisa, ciência etc.... Quero ver se o Obama der a grana o governo investir nisso ai mesmo, isso eu quero ver. Como um pais que esta entre os 15 piores do mundo na avaliação do ensino médio pode ser um pais que esta "crescendo" ?

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Eu respondendo aqui:

Zé,

Não tenho resposta para estas questões.

Estou tentando me galgar a elite dos pensantes, pois dos ricos ou dos politicos está dificil, por isso busco do meu modo dialogar com as questões que vão surgindo, buscando perspectivas positivas

Meus sentimentos não são anti-americanos ou anti-europeus. Tentarei se surgirem outras ocasiões, usar de outras formas de me exprimir que não tragam o sentimento de um repúdio antiquado e sim um de afirmação positiva de nossa nacionalidade. Não sei o que o Lula prometeu, ou o que a Dilma pode fazer, ou o que vai resultar dessa reaproximação, ou o que vai acontecer com o dinheiro do Pré-Sal, e assim por diante. Se eu falei de crescimento, não foi o da Economia do qual nada entendo, e sim o de um sentimento nacional, que rogo a Deus não se torne nacionalista, de amor proprio e de auto determinação. Sentimento que acredito estar se traduzindo nessa impresão de reconhecimento e de encontro de um novo lugar no mundo.

Dai que aprecio a parte do discurso da Dilma, em quem não votei, em que ela pleiteia o direito de aprendermos com nossos erros. Leio isso como aprender com nossos proprios erros não apenas na hipotética e improvavel participação no conselho de segurança, mas com os erros que pode cometer (e comete) um Pais em seu curso auto determinado. Erros que se ninguem interferir acabam se tornando sabedoria. O proprio Estados Unidos está aprendendo, e infelizmente pagando, pelos erros cometidos, tudo bem. Obama sinaliza uma grande mudança, ótimo! Não os quero fodidos, sinceramente quero todo um mundo melhor, mais educado e sustentável.

Abraço

Guga

Respostas ao texto "A Visita de Obama" 01

Meu cunhado, de quem eu tenho grande respeito pela opinião, que mora na California e que me recebeu graciosamente lá em sua casa, fez por email a seguinte critica ao meu texto (Marcos espero que voce não se importe com esse post), a minha resposta vai abaixo do texto dele:

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Guga,

Permita-me fazer uma critiqué do seu texto. Sua abertura é a parte que mais me chamou atenção. Sua visão do Obama não parece corresponder a uma pessoa esclarecida de viajada como você. Vi outros protestos e comentários sobre a visita do Obama e fico triste com a falta de conhecimento sobre ele e também os sentimentos anti americanos que existem no brasil agora. É uma pena pois acho que o Obama não merece ser tratado como outros presidentes anteriores que sim eram péssimos. Se ha alguma possibilidade de dialogo and abertura é agora. Obama apoia todos os projetos de energia limpa, saúde para populações carentes, e é um socialista (a dilma também não é), em suma, um das melhores pessoas que surgiu no cenário da politica americana. Como isso pode ser ruim para o brasil? O brasil parece que parou no tempo com sua retórica de ser um povo oprimido pelo maldito império do mal. Chegou a hora de sair desse atraso e ver que não são os outros que nos roubam mas nós mesmos. Não fosse o entriguismo e a falta de patriotismo dos próprios brasileiros de elite não estariamos falando disso agora.

Aprecio o seu relato da visita do Obama, mas suas observações não me contaram os detalhes que julgo importantes. Como foi a visita? O que foi proveitoso para o brasil? Do que se falou, e como foi a reação das pessoas e qual poderia ter sido a troca positiva entre dois paises que tem muito a oferecer um ao outro. Sinto uma enorme resistência a respeito da credibilidade com os U.S. e isso é compreensível pois aqui ninguem é bomzinho e todos sábem. Porém o que sinto é uma atitude neo-comunista que quer associaçoes com governos como o da china, irã etc, governos que não tem a menor intenção de ajudar o brasil. Temo que agora com o governo petista engressamos numa era de hostilidades com o melhor aliado que o brasil pode ter, e as hostilidades com o Obama vem justamente mostrar isso. É uma lástima que no brasil não são capazes de ver as mudanças que ocorrem aqui, e tambem que não somos tão mais um império, e que estes já não mais existem da forma que existiam nos anos 70. O dinheiro esta em toda parte agora, eletronicamente ele circula pelo globo e não tem mais local fixo. Acho que chegou a hora do brasil, quer dizer do povo brasileiro de entender o mundo e não ficar mais nessa retórica de que somos os explorados pelo império e participar com maturidade. A visita de Obama foi uma oportunidade para isso, mas acho que poucos viram dessa forma. O que falaria o Dali Lama sobre o Obama?

PS Vegan é o nome usado para uma dieta vegetariana que não usa nenhum produto animal (leite, queijo, mantega, etc)

Marcos Taquechel
Berkeley, California
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Oi Marcos,

fui mexer num vespeiro não é..?

A crítica é bem vinda, não pretendo ser dono da verdade. Eu entendo o que o Obama significa, e que grande mudança é tê-lo como Presidente Americano. Os sentimentos antiamericanos não são se rejeição e sim de suspeita, e são totalmente válidos. Obama quando vem aqui não é apenas o Obama, é o Presidente de uma nação com uma longa história de dominação no cenário mundial, isso o mundo e não só o Brasil não esquece. E não é a presença de um personagem carismático que resolve isso de pronto. O processo de mudança da mentalidade do Americano médio e da manutenção de suas necessidades de conforto, energia, emprego e consumo (os tais interesses estratégicos) ainda vão ser bem demoradas e conflituosas no cenário interno americano, e por consequência no internacional. Então claro, o caminho da recomposição de alianças tem muito bad blood pra tirar do caminho, e o processo de equalização dos países do mundo calcado na igualdade humana ainda vai demorar. Aqui no Brasil a gente mais esclarecida parece não ter, graças a Deus, grande possibilidade de se iludir com as figuras de proa.

O Obama foi tratado com a maior receptividade, respeito e carinho até, e também com alguns atos de repudio, como é de se esperar. Para mim é muito chocante e antipático ter um porta aviões na Baia de Guanabara, imagino que tenham ancorado um por lá pois só num porta aviões cabem os 4 enormes helicópteros que trasladaram Obama e comitiva dum lado ao outro. Isso vai muito além de toda a função legitima de protegê-lo, é politica do espetáculo, de demonstração de poderio. Sarkozy esteve aqui e o transito nem parou, sei que não dá pra comparar, mas a desproporção é avassaladora (avassalar – fazer de vassalo). Não estou falando a partir de ideologias, estou realmente falando como um índio que vê a caravela chegar na praia, e sente a desproporção assustadora, e no nosso caso sente como essa desproporção nos causou propositalmente anos de atraso. Os governos militares foram senão colocados, claramente apoiados pelos governos americanos, a reação comunista que parece retrograda é apenas resultado duma panela de pressão. Por sorte o Brasil tem muito mais coração e autoconfiança que parece, e está superando com processos internos as dificuldades. Não existe mais realmente a questão de nos sentirmos acanhados, mas isso é uma superação como é a dos Libios. Kadafi só incomoda agora ao enorme senso de justiça do G-8? É muito complexo.

Se a visita foi proveitosa, não sei. Foi simpática, sim, foi. Alguma resposta concreta às nossas reinvindicações mais objetivas – nenhuma! Diminuição das barreiras à importação e um lugar ou ao menos uma reforma no conselho de segurança da ONU aonde possamos participar. A associação com os outros governos do mundo, o Brasil se associa também com a Alemanha, com a França, com a Itália, é tão pragmática quanto tem sido historicamente a associação Americana com diversos governos opressores ou liberais... Essa mesma associação, após anos de sermos sobejamente ignorados pelos estados unidos tem dado, com todo o Karma que vem associado com isso é claro, a possibilidade do Brasil adquirir essa nova estatura no cenário mundial. O Governo Americano também não tem intenção de “ajudar” o Brasil. Acho que isto está estabelecido, não pelo fato de que existe uma intenção malvada de apenas se aproveitar, mas pelo fato de que todo o modelo global, tocado pelo G-8 e comandado pelos EUA (não dá pra se iludir) está meio ferrado... Então acho que as soluções locais são bem mais importantes.

Talvez seja difícil daí perceber como esse projeto de mundo que vem nas asas do Air Force One, a despeito das melhores intenções individuais do Presidente tem enorme espaço para critica e revisão, e que no âmbito global essa critica e revisão é feita exatamente por essa politica muito messy e com os elementos existentes, os players globais e as ideologias... Falar é muito difícil, e nesse âmbito tudo fica tingido de ideologia.

Emociona-me muitíssimo a possibilidade de surgirmos como iguais, e como parceiros dos EUA no cenário mundial, ou apenas pelo reconhecimento verdadeiro das contribuições que demos para o surgimento de toda uma nova era. E você, Marcos, gostaria de ver as analises e compreensões do papel e das contribuições não percebidas do surgimento histórico do Brasil, ao mundo a ao surgimento da era moderna, que estamos tendo no curso Questões Humanas Contemporâneas.

Acho que seria maravilhosa uma associação profunda e um reconhecimento das nossas similaridades que viesse a trazer um sentimento verdadeiro de irmandade. Isso passa, e está passando pela novíssima experiência que é a autodeterminação democrática, e um amadurecimento de nossa autoestima como nação aqui no Brasil, e isso ainda é muito tenro. E isso surge claro, dos elementos que temos aqui, históricos e culturais. O problema é que essa associação simplista com ideologias não demonstra a complexidade que surge de dimensões internas das nacionalidades, mais tipificadas por gestos que por palavras. Então escrevi mais do coração sobre o que me causaram de impacto os símbolos, mais que as palavras.

As palavras do discurso, citando Paulo Coelho, VascoxBotafogo, Orfeu Negro, Meos Ameegos, Jorge Benjor, e que o finalmente o Futuro Chegou (e me parece com isso chegou nas asas do Air Force One) me causam constrangimento. As acho estudadas para afagar exatamente essa parte machucada, para enaltecer um ego nacional Brasileiro que julgo ultrapassado, com a ideia final de fazermos negócios para a Copa e Olimpíadas, e fazer negócios com o petróleo do Pre-Sal... O discurso no Chile segue exatamente o mesmo molde, o Chile (aonde se poderia ler O Brasil) é um exemplo para a democracia mundial etc etc. Politica e negócios... politica e negócios. Em contrapartida a essa simpatia estudada não surge a espontânea, pois num mesmo gesto cerimonial o Serviço Secreto quis revistar ministros de estado. É difícil dançar com elefante, e é muito importante entender a inercia da massa do paquiderme, Obama é a tromba, mas a bunda é enorme e a formiguinha tenta do modo que pode ficar esperta...

Acho que o Dalai veria a impermanência de todo esse conflito e buscaria ver o que interessa a liberação do sofrimento para todos os seres. Ela não vem diretamente desse jogo, pode surgir sim através das aparências. Agora se os seres terão, mesmo num mundo gloriosamente governado e ornado de todo o conforto e segurança, acesso ao Darma e a Liberação das Vidas Sucessivas na Roda, ninguém sabe. Acho que o “mundo dos deuses” também para o Dalai é uma prisão de delusão tão necessitada de compaixão e liberação como o dos Infernos... Ainda assim eu acredito no processo dialético dessa história complicada, e não me interessa comunismo ou capitalismo. Não sei se sempre contribuo nesse sentido, também tenho minhas paixões, ignorância e apegos, mas o meu voto, o que me interessa, é que esse movimento da humanidade evolua e possibilite cada vez mais nas sociedades e para os humanos acesso à lucidez e à liberação do sofrimento.

Abraço

P.S.: Sei o que é Vegan. Eu estava brincando com essa sofisticação da dieta, que foi objeto de noticia no jornal, numa terra aonde tem muita mandioca e ainda assim às vezes falta pra tanta gente. Jesus Cristo em uma passagem do Evangelho passa pelo conflito de ter que se alimentar diferentemente dos preceitos judaicos e disse – “O mal não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca do homem”. Acho que quando você visita alguém, melhor comer o que lhe servem, é complicado mas é um gesto simpático e de confiança em muitos níveis. Mas isso não faz de fato nenhuma diferença nesse contexto maior, é só uma observação menor e anedótica.

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E ai o Marcos respondeu, e eu não posso deixar de ouvir e concordar:

É, esse assunto desperta muitas emoções mas de uma forma ou outra temos que chegar a um ponto transparente onde vemos tudo com clareza. Continuo achando que a visão da america como império é arcaica de defazada. A america é sim um lider mundial e tem sido por várias décadas, o líder é sempre visto com um pouco de desprezo e suspeita. O que ocorre agora é a dúvida sobre esta liderança e os países querem tambe ser lideres, de pelo monos seus proprios países. A america não sabe ser outra coisa e dai a idéia de arrogância mas acho isso uma coisa natural do líder. O teatrinho Obama é só pra impressionar mesmo. Aqui existe uma certa dúvida sobre o futuro do líder e existem várias correntes pensantes. Isso são coisas que poucos aí sabem, mas a crise americana é mais profunda e mais abrangente. Quanto a seguraça acho que fez bem pois todos sabem que no brasil o crime esta pouco sob controle, mas é duro ver isso na cara. Acho que esta turné do Obama é pra isso mesmo, deixar as pessoas pensando e discutindo sobre os novos passos, de uma certa forma uma lavagem de cara desde os tempos do Bush. Vamos ver no que vai dar.

domingo, março 20, 2011

A Visita de Obama

Acho que vi um ET!

É essa a impressão mais forte que sinto da visita do Imperador. Fico pensando quanto tempo eles ficaram polindo a espaçonave, nossa dava pra pentear o cabelo da tribo toda naquela enorme piroga voadora...! Ele trouxe a família toda, é isso é bem simpático, e ele é bonitão, a família é toda bonita. Colocam-se quase como Deuses, isso não é muito bom. Tudo é salto alto, coroas e penteados, a carruagem tem duas camadas e deve ter uma atmosfera especial anti-medo que eles precisam pra respirar. A Michelle e as garotas comem um troço especial, um tal de Vegan, coisa lá deles, meio sagrado. O salto mais alto é usar tantas carruagens para andar com o séquito, acho que não conhecem ônibus. E é engraçado chegar de avião tomar vários helicópteros, quatro, entrar nos carros pra ir a um hotel da rede ET, logo ali.

Pense, se apropriar de ruas dias antes da passagem do Augusto é mais uma forma, que senão por clara intenção, ao menos tem o efeito de fazer parecer que seu manto se estende pelo próprio tempo. Ele com isso ocupam, Imperador e Séquito um espaço super-humano, em nossa mente, em nossa vida, na planta de nossas cidades. Salto alto e mis-en-cene, afinal eles são da terra dos Pop-Stars, Deuses que surfam na mídia dos afetos exacerbados... Eles sabem colocar um show no ar. O que eles querem vender, o que querem levar? Acho engraçado que em Hollywood eles são fascinados com Guerras, com ETs, e com Vampiros... Isso poderá dizer alguma coisa?

Gostei da Dilma, achei bom o discurso dela, achei humilde (não submisso bem entendido) e ao mesmo tempo forte. Não achei muito mau o dele. Conselho da ONU, ah esse não rola! Visitem a Cidade de Deus e lhes mostrem Capoeira, mas não sei se eles se acham negros como nós. Eu ia dizer como nossos negros, uma grande gafe, seria? A realidade é que o meu branco é o negro do Obama, e por isso muitas vezes eu mesmo me identifico e me iludo com o peixe que ele vem vender lá do espaço. Eu entendo sua língua, e tenho os mesmos apetites, aprendi muita coisa nos seus filmes. No entanto, viver aqui Brasileiro nessa vida me é escola, e eu consigo ter perspectiva de que essa tentação toda é perigosa se a alma a engole como um todo. Talvez eu, Oxalá, tenha me tornado mais negro que o Obama, e menos branco que um senhor de engenho... Sinto-me hoje bem mais junto e misturado que antes, e isso é bom.

Foram eles, ainda americo-humanos, e não Faraós ETs de hoje que ganharam a cartada da 2ª guerra. Clarissimo antes eles um milhão de vezes que os Nazifascistas, mas por isso esse é um mundo ocupado pela “mentalidade dos ETs”. Uma mentalidade alienada da terra que, por mais verdadeiramente simpático que nos apareça Obama, ele vem nos visitar nesse fim de semana em busca de mais combustível para uma máquina ultrapassada e para um projeto de mundo exclusivo. Eles não resolveram essas incoerências, nem revisaram suas consciências e motivações de modo transformador. Do alto do pódio o Imperador tem que lidar aqui em nossa Brasília com as consequências das ações de seu país no mundo. Ações que foram tomadas desde essa “Vitória da Democracia e da Liberdade”. O Império lida, como em lei do eterno retorno, com as consequências das intervenções ocultas ou abertas de mão pesadíssima que perpetraram na defesa de interesses americanos na nossa esfera.

Nem todo o progresso que trouxeram ao mundo é mau, e não podemos dizer que não colaboramos em grande parte com as opções e rumos da humanidade na era atual. As divisões não são tão contrastadas, nem o Mal e o Bem podem ser traçados maniqueísticamente. Eu diria que a parte questionável é co-optar a vitória da libertação da 2ª guerra e da Guerra Fria e transforma-la em “Davonica” (como em Davos) dominação imperial regida e direcionada pela(o) Capital, e no investimento histórico no acanhar as outras nações. Isso pode ter sido equivocado às vezes, e claramente criminoso em muitas outras, não sei dos fatos pontuais, mas intuo pelos efeitos. Admiro as conquistas Americanas que se confundem com as conquistas da modernidade, muitas são merecidas e vem realmente do valor e da dedicação ao trabalho e a verdade, muitas vem das virtudes do pluralismo da democracia e assim por diante. Conheço o povo como pessoas, com nome e valores e sei que são como nós, gente em busca da felicidade. A Abordagem Integral e a Dinâmica da Espiral, que admiro e que me inspiram profundamente, são criações americanas, e sei que na América do Norte hoje acontece um grande e vital movimento espiritual e de valores voltados para o mundo só possível no ambiente de liberdade de expressão, e também de riqueza material, que criaram para eles. Eles são muito mais bons que maus, imaginem se nós fossemos julgados por nossos governantes...

Claro, falando assim em linguagem simbólica e cifrada a coisa fica dramática, mas não é mesmo dramática? Podemos comprar e vender, aceitar investimento e tecnologia, mas temos que ter grande clareza de visão. O tipo de mundo que eles contemplam os beneficia por isso a visão de mundo e os lugares que eles têm para nós nesse esquema vem pré-programadas em cada gesto. Nada de errado com o comércio e com a troca. Só não devemos no meio disto comprar ou nos vender e submeter a um projeto de mundo em decadência. Mesmo que forçados a usar meios mais transparentes eles buscam um retorno aos tempos áureos, e o retorno do Status Quo. Quem senão os santos cederiam Poder Temporal gratuitamente? Podemos aceitar graciosamente o gesto da visita, a 1ª vez iniciada por um presidente americano antes de sua contraparte Brasileira. Pode existir ai realmente um gesto de significado humano e nobre.

Temos legitimado pela história o direito de toda suspeita e resguardo, e não precisamos nos afobar em aceitar bugigangas e espelhos, seja na forma de usinas nucleares ou qualquer coisa que brilhe no escuro, vejamos os Japoneses. Também não devemos vender nosso petróleo a partir de acordos de cúpula estratosféricos e corruptos, vejam as ditaduras árabes, ou o morde assopra do Chávez. Precisamos entender os Americanos e explica-los a nosso modo, com perspectiva brasileira, maturidade e mesmo com o perdão dos adultos. Temos que traçar nosso projeto de um caminho melhor e mais justo para todos os humanos, Brasileiros inclusive. Nós estamos conquistando nosso lugar no mundo à medida que o interpretamos e nele vivemos de nosso modo autentico, na medida em que trabalhamos para resolver nossos problemas, e em comparação com nossos irmãos gêmeos do novo mundo, na medida em que não causamos mal pela imposição de nossos interesses sobre os outros países do mundo. Temos a felicidade e o mérito de termos servido à modernidade como os que sustentaram seu crescimento. Somos como povo, junto dos outros explorados, os que pagaram suas dividas e os que foram escravizados e oprimidos por seus interesses cooptados por egos nacionais. Acho que estamos noutro momento bem diferente de nossa história.

Obama diz que o futuro chegou, essa é a interpretação deles de nossa ansiedade de nos tornarmos um igual no mundo. Das nossas intenções pueris de sermos o País do Futuro... Por meio dum slogan da ditadura tentam nos envaidecer e explorar nosso sonho ingênuo. Palavras de ordem para a boiada, “eh Booooi do futuro...” Só posso dizer que não aceitaria a noção que ter chegado ao Futuro é um presente do Império, não, é uma dádiva de Deus e conquista dos Escravos, que se libertam de um jugo insalubre. O mundo está mudando mais que nós podemos conceber, e nós não devemos pensar em comprar e nos submeter a um modelo que está implodindo. Podemos e temos condição de ver o mundo, de concebê-lo, de nova forma, e se o fizermos vamos encontrar nosso lugar justo, belo e bom na comunidade da terra. Com segura calma vamos encontrar essa igualdade e respeito que mesmo desarmados e pobres merecemos!

terça-feira, março 15, 2011

Dinamica da Espiral - Imagem



Esta é uma imagem que criei para representar os vários niveis da Espiral Dinamica. Cada faixa representa respectivamente de baixo para cima os niveis:
Arcaico
Tribal
Guerreiro
Tradicinalista
Moderno
Pós-Moderno
Integral
Note que cada nivel transcende e inclui, acrescenta ao mesmo tempo em que se apoia sobre o nivel anterior.