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terça-feira, março 15, 2011

Dinamica da Espiral - Imagem



Esta é uma imagem que criei para representar os vários niveis da Espiral Dinamica. Cada faixa representa respectivamente de baixo para cima os niveis:
Arcaico
Tribal
Guerreiro
Tradicinalista
Moderno
Pós-Moderno
Integral
Note que cada nivel transcende e inclui, acrescenta ao mesmo tempo em que se apoia sobre o nivel anterior.

Refundação Integral

Pensando na Refundação - 12.03.2011 – Guga Casari

Ofereço esse passeio e uma viagem, desculpem a ocasional lacuna, algumas informações importantes podem estar mais abaixo no texto. O texto ficaria ainda mais longo se eu fosse desenvolver tudo, por isso conto com ter conseguido escrever mais ou menos bem nas entrelinhas...comentários são bem vindos. Esse texto se inspira fortemente nos trabalhos e aulas do curso Questões Humanas Contemporâneas, ministrado no CDDH em Petrópolis(Centro de Defesa dos Direitos Humanos pelo Professor Luiz Gonzaga de Souza Lima.

Centro – centrado na terra – mundo.cêntrico – cosmo.cêntrico – perspectiva solar.

Perspectiva integral e analise a partir da Dinamica da Espiral

Brasileiro = guerreiro na selva incivil da vida social brasileira, lutando individualisticamente para salvar o pão de sua tribo/familia. Encontra-se longe (como massa critica) da noção civilizatória do estado de direito, da virtude da lei, por que sua experiencia social é a de viver num ambiente opressivo onde a lei lhe rouba e agride. A evolução natural atraves dos estágios da espiral ficou impossibilitada por estes estágios terem sido podados ou enxertados. Principalmente devido à formação social excludente, pela base da sociedade em grande parte ser constituída no inicio da nossa história por sequestrados e assassinados.

Como uma sociedade pode ser formada por assassinados? Ora por que sua ausência forçada (assassinato) foi vista como necessária para a formação social. Então mesmo horrivelmente excluídos eles fazem parte, como espíritos que clamam por dignidade, lembrança, justiça, repouso. E por sequestrados? Ora o que foram os escravos, aos milhões, senão homens e mulheres sequestrados de suas vidas? Que grande desvio, que grande arrancamento não é ser tirado do seio da sua tribo e levado a outras terras, sem nome ou alma, sem destino conhecido ou explicado...

A experiência tradicional de desenvolvimento através dos estágios de crescimento que são demonstrados na dinâmica da espiral (Spiral Dynamics) não se deu aqui. Existe um aspecto Frankenstein na montagem de nossa sociedade. Nossa vivencia de sociedade é um tecido retalhado e ferido, completado de muitas experiências estrangeiras (estranhas, alienadas de nós históricamente, alienantes). Lembranças imigrantes ou apenas aprendidas, ideais comprados e sentidos como se os houvéssemos vivido. Lembranças mais emprestadas mais que realmente vividas na terra. O enxerto dá mais ou menos certo, mas o doente anda sózinho mas não pode correr por assim dizer. Não que a aparencia não seja de uma coisa inteira, o problema é que por algo repuxa, as peças não encaixam tão bem, e a gente olha no espelho e parece que está faltando alguma coisa...

As raízes tribais locais (indígenas), que seriam a inserção natural na terra de uma cultura brasileira, foram devastadas. Outras raízes tribais (negras) foram arrancadas de suas terras e foram replantadas aqui em terra sofrida. Toda uma cultura proto-moderna (conquistadores) se instalou aqui sobre a exploração dessa outra cultura artificial e escravizada, desintegrada da sua constituição tribal original, naquela pirâmide sórdida de exclusão que estudamos. Todo um estágio de experiência social guerreira e tradicional previstas e observadas na dinâmica da espiral simplesmente não se deu aqui. As formas tradicionais impostas através da catequese de controle se impuseram diretamente sobre uma cultura indígena devastada ou negra sequestrada, que ainda não haviam passado por um estágio guerreiro, resultando num efeito civilizatório capenga e no retardamento da vivencia do estágio guerreiro. De Canudos, às Missões, aos Quilombos as insurgências Guerreiras foram sumariamente reprimidas. Hoje a resposta é o surgimento duma mentalidade guerreira e individualista do trafico e da violência, um movimento aparentemente retrogrado que na verdade é um impulso evolutivo de individualidade e afirmação (tribal > guerreiro) reprimido a centenas de anos.

Por isso O brasileiro médio parece ainda precisar ser seduzido, no melhor dos sentidos, para vir participar de uma sociedade centrada em bases tradicionais. Apesar de este ser um cenário “pre-moderno”, uma sociedade baseada em valores tradicionais é um lugar de algumas virtudes aonde idealmente cada um sabe o seu lugar, debaixo da visão benevolente de um Deus que organiza o Universo e sob a proteção de um estado (não necessariamente paternalista). Creio que o Brasileiro ainda precisa se sentir seguro e resguardado, valorizado e tambem cobrado (daí percebido), dentro de um esquema maior.

Orientar esse impulso guerreiro vital autêntico de forma produtiva e não destrutiva é um desafio. Por que a experiência de ser parte constituinte de uma sociedade ainda não aconteceu realmente para a grande maioria dos Brasileiros que ainda buscam essa afirmação e individualidade. Passar rapidamente em números substantivos e de modo participativo (não imposto – seduzido pela virtude) desse estágio guerreiro para um estágio regrado pela lei (de guerreiro>tradicional) aonde a grande maioria possa passar a viver num ambiente civilizado, ainda que pré-moderno, é uma necessidade para estarmos à altura dos desafios do século 21. Eu diria que esse seria um processo terapêutico, mais do que um processo de longo prazo, visto que de fato todos hoje vivemos numa era e com recursos e consciência moderna e pós-moderna. É mais uma questão de reconstituição dos “tecidos” das redes e das conexões, é uma questão de reestabelecermos uma estrutura natural de convivência, como um reboot no sistema e um reencontro dum software social orgânico e benigno.

Sonhamos, Brasileiros ainda meio nacionalistas, em nos tornar grandes no mundo, queremos que alguém lá fora nos reconheça como nação. Acredito que esse tormento de querer ser reconhecido começa a passar, sinto que vamos amadurecendo e encontrando um jeito calmo de apenas ser. Oxalá encontremos.

Para amadurecer precisamos olhar nossa história de frente. Vemos ao olhar a pirâmide da nossa formação social excludente, como um tantinho de gente que mandava estava em cima dum tantão de gente que nem contava como gente, que contava como força sem alma, apenas... A gente começa a entender essa distorção, insalubre e monstruosa para nosso olhar atual. E quando pensa nesses termos, analisando a nossa formação original não de sociedade, mas de estado fabril moderno voltado para fora de si, o vemos sequestrador e excludente. Aparece ao olhar, figurativamente, uma moenda de gente, comerciante de doces prazeres, e o choque nos pede que contemplemos nosso Karma, e nosso lugar nessa história.

Karma é um conceito muito importante de ser apreendido, é uma forma de entender o que acontece como resultado de nossas ações. Devemos despir a palavra de negatividades, do sentido de punição, expiação e culpa que agregamos a ela aqui no ocidente. A palavra Carma é traduzível de modo simples como Ação. Devemos entender que o conceito de Carma surge da compreensão que nós nos movemos e agimos num Universo vivo, bom e responsivo, que nesse Universo ao longo do tempo depositamos o resultado de nossas ações seja na forma de predios, de nações, de relações, de habitos, de respostas programadas... Carma, Ação continuada por muito tempo que deixa marcas, trilhas, formas construidas de acordo com as razões que nos levaram a realizar essa ação. Essas formas se tornam uma realidade envolvente, tão mais concreta quanto nela tenhamos investido esta Ação.

Agindo de acordo com a necessidade organica da sustentação da vida do cosmos, ou em oposição obstinada e ignorante ao impulso amoroso dessa mesma vida, nos colocamos em situações mais, ou menos, auspiciosas. No fim, é minha crença pessoal, tudo acaba chegando ao mesmo mar da bondade compassiva do criador, ou “des.antropo.morfizando”, todo conflito chega numa forma de equilíbrio positivo, na realização inevitável de crescimento daquele que o viveu. Creio ser possível perceber isso quando se olha numa escala mais ampla e desapegada. Mas, despindo-o de toda a mística, e apenas necessitando o entendimento que somos conectados a toda a vida, o conceito de Carma não é um de expiação e punição, apenas diz respeito ao resultado, muitas vezes imediato, outras vezes acumulado, de nossas ações. O conceito Carma indica que é melhor estar conectado a vida e ao cosmos de modo positivo que de modo negativo.

Voltando então ao significado de Carma nesse contexto: Uma malha de ações construiu essa nação, impregnou as arquiteturas e paredes, as leis, impregnou nossas relações de significados. Essas como todas outras, foram e são açoes que deixaram a semente para que por falta de lucidez nasçam inadvertidamente novas ações de mesma “vibração”, “energia”, “ressonância”, de mesma semelhança, de mesmo DNA. Nesse aspecto a nossa Malha Brasilis é uma malha com alguns defeitos que precisamos curar, com limitações que não são mais necessárias, com dores para as quais existem remédios e cura. Imagino figurativmente uma regeneração, por meio de um procedimento re.genético que encontre em nossas proprias “células tronco” os melhores genes (esperanças, desejos, ambições, capacidades) genes que nos projetem num futuro positvo, abraçados com o corpo maior da humanidade.

Estudamos no curso Questões Humanas Contemporâneas, ministrado pelo Prof. Luís Gonzaga além da formação social excludente, a importância do novo mundo e do Brasil na fundação da era moderna. Sem os recursos (e os sacrifícios) das Américas, e no caso de nosso estudo especialmente do Brasil, o surgimento do mundo moderno, do homem e da mente moderna, e da era global que hoje vivemos não teriam sido possiveis. Foram os espaços de liberdade abertos à exploração de novos modos de ser; os recursos materiais (ouro prata); os recursos de espaço fisico indefensável pelas populações ingênuas e desarmadas de aço e, portanto sem condições de se contrapor à obstinação dos conquistadores; os recursos energético-alimentares (açúcar, batata, tomate, café, milho...), as novas formas de comercio e intercambio globais surgidas da exploração das novas fronteiras, que possibilitaram a energia e o campo aberto para o surgimento e maturação do moderno em sua forma desenvolvida. Como vimos outras vezes em sociedades tradicionais o pensamento regido pela razão buscou surgir, sendo a Grécia o exemplo mais conhecido, mas tambem na China e na India. O pensamento regido pela razão entretanto foi incapaz de se tornar dominante, ficando adormecido até a era dos descobrimentos apenas como um potencial no bojo da sociedade e na mente do Homem.

Hoje olhamos a modernidade já a vemos como coisa pronta, e criticamos suas falhas, a principal talvez seja a exploração desacralizada do Homem e do Meio Ambiente. Podemos não estar conscientes disto mas este já é por definição um olhar pós-moderno. Um olhar que se afasta da mentalidade moderna dominante e percebe suas falhas. O pós-moderno entende toda a realidade como construída. Diferentemente do moderno que vê a realidade como sendo materialmente estática, o pós-moderno entende que o olhar constroi, que o mundo surge do interior do humano e não apenas como um dado externo, ele é um resultado da experiencia que a consciencia realiza sobre ele. Como demonstrado pela fisica quantica e pela demosntração de que tanto o observador como o seu experimento, que é o modo como questiona e prova a “realidade”, são formadores da própria experiência do que é real e daquilo que é percebido. Por isso o pós-moderno busca valorizar as diversas interpretações do significado do Cosmos surgidas em todas as culturas por entendê-las como igualmente válidas criações do Homem. Assim como busca, em oposição à aridez religiosa do periodo moderno, re-sacralizar as relações. Faz isso ainda de modo ineficiente, pois o entendimento que toda a realidade é construida, ao nivel pós moderno, traz todas as verdades para um mesmo patamar de valor, nada sendo realmente mais valioso, ou apropriado que qualquer outra coisa.

Daí que, no ponto em que muitos de nós nos encontramos hoje, pode surgir certa resistência a qualquer coisa entendida como um julgamento de valor. O problema é que o que o que surge após a relativização e desconstrução ultra critica do pós-moderno tende a se tornar uma sopa homogenea onde tudo é igual a tudo mais. E no meio disto, um curto circuito sem diferença de potencial, Deus (que morreu na modernidade) ou o poder amoroso da vida acaba com dificuldade de agir. Claro que isso só acontece na nossa ignorância, pois esse poder age independente de nossa opinião a seu respeito – Graças a Deus! Ainda assim, beber dessa sopa morna de valores nos torna instrumentos menos capazes de ressoar sua música, nenhuma corda se retesa, nada realmente vibra...

O proximo passo no caminho evolutivo da humanidade e das sociedades não é um retrocesso ao modo antigo do bom selvagem, e sim um perceber-se não no meio de um caos de visões de mundo conflitantes, ou num sopão onde tudo é igual a tudo o mais, e sim no meio de uma complexa ecologia de valores que começa a se revelar. Como brumas que subindo quando vem o sol não turvam mais a paisagem, a revelação da existencia de uma estrutura interna no homem e nas suas associações com o outro (e com o mundo, a natureza, a sociedade) passivel de ser compreendida, e que é uma das principais conquistas do pensamento Integral, permite uma nitidez sem precedentes no entendimento de nossa história, e daquilo que podemos conceber como nosso futuro e destino. A fase moderna e seus conflitos não são o patamar final, ou definitivo, e um próximo passo do crescimento e evolução do Homem e da Sociedade se descortina, essa etapa se chama Fase ou Etapa Integral. E proeminente na visão de mundo dessa fase é exatamente uma grande clareza no entendimento do crescimento evolutivo do Homem e da Sociedade em fases com transições claramente marcadas. Nominalmente essas fases já citadas de passagem acima são em ordem de complexidade (não de importância – todas são igualmente fundamentais) Arcaico > Tribal > Guerreiro > Tradicional > Moderno > Pós-Moderno > Integral > e por ai afora. Isso é um amplo estudo que eu fervorosamente defendo. Essas mesmas fases se observam no amadurecimento do ser humano de bebe a adulto, e são observadas com nomes diferentes em outras abordagens que estudam o desenvolvimento humano. Essas fases surgem, no caso das sociedades como respostas (Visões de Mundo) que surgem diante de Situações de Vida. E hoje a complexidade da situação de vida de quem está na “crista da onda” é uma de desconstrução pós-moderna da visão e valores modernos que exige uma nova síntese e direcionamento a partir de valores integrais e Mundo-Eco-Abrangentes.

Quando penso em Refundação para mim a coisa para mim vira esse Tsunami e passa muito fundo, incluindo um resgate dos assassinados, dos sequestrados e escravizados, daqueles que foram alienados de suas forças de vida e impedidos de crescer em humanidade de forma organica e natural. Passa por honra-los como meus próprios antepassados. Nesse caldeirão entrou muita gente, e tanto quem foi tragado e cozido, como aquele que disso se alimentou vive direta ou indiretamente em nós, hoje, nas ruas asfaltadas e cibernéticas de 2011. Esses foram de modo bastante verdadeiro nossas Mães, nossos Mártires Silenciosos e nosso Alimento. Desse ventre nós surgimos como Brasil, e o mundo surgiu como Moderno e evoluiu para além das limitações do tradicionalismo secular.

Quando penso em Refundação Brasileira penso na espiral de experiencias humanas que tem que ser reestabelecida, no vortice de evolução benigna que tem que ser restaurado para que em nos, Humanos nascidos Brasileiros, a humanidade encontre seus novos espaços, seus novos horizontes, e que de vez fiquem para traz a ansiedade e o medo, a opressão e a exploração do Homem e da Natureza pelo Homem sem alma.

Quando eu penso no Brasileiro eu penso, o que o move? Não é a disciplina militar, o Brasileiro não se conforma nem se robotiza em liturgias sociais complicadas; Não é a praticidade e a agressividade secas dos povos invernais, o Brasileiro é materialista por acaso, acho que por que ainda não concebeu outra forma de ser que não as formas já arcaicas da modernidade, aquele modelito cansado de “O Homem sobre todas as Coisas (até do Homem)”. Acho, vou arriscar esse palpite, que o que move o Brasileiro é Paixão, e eu diria que não é apenas uma paixão da fome, ou da sanha dum prazer, é uma paixão ideal, estética, palpável, pela vida, e quem não sabe pela justiça e pelo espirito. Uma paixão que se tornaria Solar, se permitíssemos nossos corações arejados alçarem essas alturas. E me empolga especialmente pensar numa paixão ensolarada, aberta e destemida, pensar numa civilização pós-egípcia, com pirâmides de sapé venerando os dias e o sol, e o milagre de vivermos e compartilharmos entre nós o que é de mais vital no humano. Algo que saísse cantado de nossas vozes como verdade, e soasse assim misterioso e sedutor como bossa nova para os perdidos desse mundo, algo que acolhesse e abraçasse apenas por dizer um simples “E ai, tudo bem?”. Um segredo escondido e maroto de quem sabe o viver. Agrada-me pensar em uma civilização solar, ao mesmo tempo sal da terra, simples como cafezinho, gostosa como aipim, despreocupada como o verão, comprometida como a paixão... Fogo ardente, espontâneo. Nada das formalidades cansadas, das trilhas desgastadas, da mente obtusa e contábil. Clareza, propósito. A segurança dum abraço, dum aperto de mão caloroso. Verdade estampada num estalo no ar. Será que esse Brasil caloroso, seria um braseiro derretendo o que era sólido, será que dessa forja, hoje morna, se oxigenada e aquecida sairia o aço e o silício dum novo tempo? Por que na realidade do Brasil, como se fosse algo destacado do mundo, não vale a pena se ufanar, mas desse setor de experiência da humanidade nessa esfera bem pode surgir um componente importante na trajetória evolutiva da humanidade. Afinal as naus que trouxeram nossos corpos, trouxeram nossas almas senhores ou escravos, as armas que mataram nossos corpos, doeram em nossas almas senhores ou indígenas, as riquezas que produzimos nessa terra, e que dela arrancamos surgiram em nossos corações e neles persistem.

São os valores que damos as coisas que as tornam valiosas, é o valor que damos a nossa história e o que com ela aprendemos que a torna gloriosa. É o sentido que damos a nossas ações no mundo que as tornam poderosas. Na luz apaixonada iluminemos o mundo com sentido, proposito e justiça, deitemos nossos olhos na beleza de cada aspecto da vida e não vejamos nada de errado debaixo do céu. Que nossa luz atravesse um mundo transparente e leve, e nós mesmos não nos apeguemos às coisas que vem e vão na maré dos dias. O que plantamos, que frutifique. O que digamos, que nos aproxime, e o que tenhamos que a todos enriqueça. Façamos do pouco o muito e estejamos prontos para qualquer juízo, a vida é curta e imprevisível como as ondas no Japão. Quanto tempo a orbita em torno do Sol nos será benigna? Não vivemos amanhã ou ontem, vivemos com os olhos nos olhos do hoje, abertos, acordados, num suingue apaixonado dançando com a vida, dançando na Refundação!

O Brasileiro, Abordagem Integral, Dinamica da Espiral

O Brasileiro - individuo imaginário que surge na minha mente, é um agregado hipotético do movimento de ocupação dessa geografia. É a resultante da pressão antrópica histórica e geográfica na forma dum individuo “médio” idealizado. Esse Brasileiro não é fruto dessa terra que tomou e tem muitos elementos para se sentir estrangeiro mesmo em casa. Creio que essa é mais uma das premonições do que é ser Brasileiro, o “Povo do Futuro”, por que acredito que desse mesmo modo a Humanidade vai acabar se percebendo como algo que busca e que precisa se diferenciar do solo mãe que a gerou.

No nascedouro do Brasil na Senzala não tínhamos a terra, nem mesmo o futuro, na Aldeia deixamos de existir, e na Casa Grande éramos estrangeiros fazendo fortuna numa terra exótica... Temos uma desconexão da terra como ideia de solo ancestral, pois em nosso mito histórico nós podemos explicar donde viemos – nas caravelas de outras terras. Não sei se o que vou dizer pode soar absurdo, pois de modo algum quero diminuir a experiência indígena, mas apesar de todas as influencias que claro existem em nossa cultura essas são periféricas, não chegaram a afetar o aço do cerne. A cultura indígena foi massacrada e muito mais que a negra, rejeitada e suprimida, por isso diria que ela teria que se ser reincorporada no caráter nacional, se isto é possível, para chegar a ser uma influencia forte. Acho isso difícil, as marcas desse trajeto dominador massacrante sempre serão parte e trauma que dificulta essa possibilidade. Por isso transmutar-nos em herdeiros legítimos dos indígenas me parece impossível de modo coletivo. Acho que nesse caso só resta o respeito e a honradez pelos aborígenes originais e uma busca pela reparação possível.

Quanto ao que é ser Brasileiro, as histórias do branco superaram e engoliram todas, e de modo irreversível e são a nossa versão oficial e consciente do que somos e de como nos sentimos. Não temos o sentimento de que como indígenas sempre existimos aqui, plantados como milho ou mandioca no chão. Não temos esses mitos ou essa história como povo, nem realmente as fizemos nossas. E como disse me parece que nossas relações ao longo dos séculos não permitem realmente incorporar um sentimento indígena/aborígene nacional, como talvez um europeu ou um asiático consiga traçar com o solo pátrio. Ou seja me parece que não nos é acessível uma raiz mais profunda e um laço mais subconsciente com a terra e com origens locais autenticas. Podemos é claro traçar e sentir esses laços e escala mais ampla, com a própria terra, mas dificilmente com esse pedaço de terra especificamente. Somos desterrados contemos a história como Brancos, Negros ou Indios. Nosso mito e história já é a explicação moderna, objetiva, e recente de nosso trajeto. O subjetivo que surge, escondido no mito moderno super objetivo, é um não ser da Terra, mesmo que sobre ela pisemos, construamos e plantemos. Esse modo de ver para mim explica, e permite traçar a hipótese, de por que a nação do Brasileiro é uma de conexões HUMANAS. Nós nos apoiamos, talvez de forma mais substantiva que outros povos, na conexão com o outro. No papo da fila do banco ou no mutirão pra construir a casa. Acredito que apreciarmos e até desenvolvermos essa característica de paixão, afetividade, conexão humana automática é uma virtude e mesmo uma qualidade especial de sobrevivência nesse planeta em colapso ambiental, e que essa pode ser a qualidade humana que falta brotar de modo mais acabado em nosso Planeta. A exploração da Intersubjetividade, dos mundos que criamos em nossa relação com o outro é a nova etapa que aparece para a Humanidade, e nessa fronteira que existimos como civilização, e aonde o Humano surge como Humano.

Nossa mãe começa a nos “expulsar” de casa. Parecem ser avisos, mas não creio ser essa uma questão moral. A crise ambiental pode não ser reversível, por que não é só atmosférica é geológica, e por isso pode ser muito maior que nós, maior que qualquer paliativo que possamos buscar no momento. Não conseguimos conceber a extensão e abrangência desse ciclo de mudanças, estamos navegando sem instrumentos. O Japão andou 2 metros e meio...! Posso imaginar que essa sacudida tectônica agora vai jogar pressão mais adiante, a coisa está se mexendo e a gente sente no mais intimo de nosso instinto, quase nos ossos. E só temos os ossos bussola.

Sei que parece cruel, e meio ficção cientifica, mas para mim tem um sentido e uma Urgência, de Profecia, de Evolução e de Movimento da Vida. Mas e se a terra for semente, que agora vai se secando, já que já deu fruto? O quanto tempo ela se aguenta para que amadureçamos e nos tornemos férteis, autopoiéticos e geradores autônomos de nosso meio?* Acreditando que a consciência humana não é uma doença e sim é o pináculo de realização da vida da terra, um investimento de todas as esferas que evoluíram aqui e um presente de Gaia para o Universo, creio que a Humanidade está destinada a carregar em seu bojo a memória de sua terra mãe e durar mais que planetas. Nossa fragilidade aparente é nossa força, sempre foi, e o teste é agora. Nossa inteligência e consciência, temos que crer, brotam das melhores aspirações de nossa mãe generosa, e se ela nos sacode não é por que nos odeia ou por que fomos tão horríveis assim que mereçamos o apagamento. Achamos, adolescentes, que ela nos pune e nos odeia, a verdade é que Ela só quer que acordemos para o fato de que ela não vai estar aqui para sempre. Claro que o certo é poluir menos, e buscar fontes alternativas de energia, mas nossos equívocos civilizatórios são uma parte pequena da crise que vivemos. O próprio Sol passa por um período incomum e joga mais energia que antes na heliosfera, afetando diretamente nosso clima e, dizem especialistas impactando energeticamente a nossa magnetosfera com consequências diretas na sismologia do planeta.

O que fazer? A Terra vai acabar amanhã? Pode ser, quem sabe de verdade? Pouco provável, mas é bom acatar os avisos... A Terra vai se esgotar um dia? Muito provável, o próprio Sol deve esfriar. Somos a doença do planeta e seria melhor não estarmos aqui? Não acredito, creio que Gaia sentiria nossa falta, e nosso desaparecimento não honraria seu esforço e dedicação.

Acho que a Humanidade “Futura” cada vez mais vai se destacar da terra, e na medida do possível reduzir seu impacto no planeta. Quem sabe um dia nós deixaremos nossa mãe descansar e se felicitar, orgulhosa daquilo que nos tornamos, e lhe contaremos histórias de nossas viagens e como vão os netos em outras galáxias?

O ponto é que grandes horizontes, Cósmicos, mesmo que não exatamente estes ficcionais, são profeticamente (por -Fé-ticamente) possíveis para o Humano. Sentimos isso nos espaços amplos da Alma. E não é uma questão de “Destino” como se houvesse um plano escrito, é a força criativa do próprio impulso de vida que nos impele a buscar mais longe, a realizar mais, a transcender e superar.

Nesse momento, o transcender as dificuldades com que nos deparamos se dá por reduzir o impacto no ambiente, e por distribuir as riquezas da civilização por todos, por reconhecer toda a vida como sagrada, e eu diria por não jogar fora o virtuoso da história e da civilização moderna junto com o problemático. Nossas Urbes tem cada vez mais que se tornar “estações espaciais” auto suficientes, altamente eficientes e limpas e com plantas compactas, de impacto zero e a prova das oscilações do planeta. É possível que nossas populações tenham que decrescer para aumentar a qualidade de vida da humanidade como um todo... Não é uma questão de decidir quem não vai viver, e sim de simplesmente reduzir paulatinamente os números como um todo e permitir acesso total a todas as benesses da civilização a todos de modo amplo e irrestrito...

Uma das questões, e problemas, que surgem da convivência conflitante entre as varias visões de mundo propostas pela Dinâmica da Espiral é que certas tecnologias, métodos ou entendimentos não surgem senão a partir de um estágio especifico. Um exemplo usado é o de que a bomba atômica só foi possível a partir do estágio moderno, e seria uma tecnologia impossível de ser criada em estágios anteriores não científicos. Uma vez surgida no espaço do “Kosmos” (termo usado por Ken Wilber para toda a esfera Objetiva-Externa junto com toda a esfera Subjetiva-Interna) essa tecnologia se torna disponível para todos os outros níveis. Então hoje nos preocupamos de modo real com a questão de Bombas Atômicas Modernas na mão de Aiatolás Tribais, um pepinaço! Também surgem novos aspectos filosóficos e argumentativos, como na desconstrução do Moderno vinda da critica Pós-Moderna, que em sua esfera é apropriada, mas que na relativização de atitudes guerreiras e individualistas pré-modernas se torna um problema, como na defesa dos direitos humanos de traficantes mafiosos e renitentes por exemplo. Ou na justificativa da construção e ocupação des-urbana das favelas que hoje após a catástrofe serrana mostra o perigo de vida que é esse tipo de aglomeração sem planejamento...

O Brasileiro é um Guerreiro, gostaria que ele passasse a ser, a se sentir e a agir como um cidadão. Essa consciência Guerreira e batalhadora consegue se defender até certo ponto das dificuldades da vida, uma tal “sabedoria dos pobres” que eu ouvi falar. Mas é inábil para lidar com os novos desafios da civilização e tem acesso a recursos que não são gerados em seu nível, que geram por si problemas de outro nível. Civilizações Guerreiras ancestrais nunca chegaram aos níveis de população atuais quando essas eram as dominantes. Suas batalhas e dificuldades ambientais impediam o crescimento populacional. A solução evidentemente não é, acabar com os Guerreiros, ate por que esse é apenas um aspecto de comportamento existente em cada um de nós, e que em cada individuo se apresenta em relação a esferas diversas da vida em graus diversos de intensidade e combinado complexamente com a existência e preponderância de outros níveis. É, é complicado mas não é tão difícil de entender quanto parece. Você pode ser Guerreiro no trabalho, tribal na família, tradicional na religião e moderno na educação...

Não tem um corte nítido, o ser humano em seu interior é uma coisa múltipla, mas é possível se entender esse interior. É possível se dialogar com essas camadas, do ser. Entendendo que elas não são classificações de indivíduos, e sim de pulsões internas, ou estruturas existentes em todos nós de forma mais ou menos dominante, de forma mais ou menos conflitante ou integrada. São estruturas que surgem de forma evolutiva, como nosso esqueleto surge das células que surgem dos átomos, não consideraríamos abrir mão dos átomos, ou oprimi-los por estes serem “inferiores, não é verdade? Assim também não abrimos mão das estruturas mais subconscientes, formativas e vitalmente estruturais.

A ideia geral da Dinâmica da Espiral é permitir, oferecer a todos, ao menos a possibilidade de alçar a outros níveis de entendimento e de abrangência em suas visões de mundo; além de buscar a redução do conflito para a convivência saudável e mutuamente honrada destas várias visões (experiências) de mundo. A Abordagem Integral utilizando a Dinâmica da Espiral e concebendo que o movimento evolutivo é um movimento natural e espontâneo do Universo tanto em seus aspectos Externos/Objetivos, Internos/Subjetivos e Relacionais/Intersubjetivos, se oferece como um novo patamar, além do Pós-Moderno aonde finalmente, como se diz –“A Evolução se tornou consciente de Si-Mesma”.

Isso quer dizer que ao contemplar a possibilidade de uma era Integral para as consciências, a Abordagem Integral se oferece como a possibilidade de ser fonte de harmonização entre as varias áreas de atrito que aparecem na briga por dominância das camadas anteriores. Isso por que é essa a primeira vez que essas mesmas camadas se tornam evidentes, e só se tornam evidentes a partir da lente da Consciência Integral. Pode surgir a pergunta se essa não é mais uma ideologia que busca a dominância, acho que não, visto que o objetivo desta visão de mundo é Integrar e Honrar a Beleza, a Justeza e a Verdade de cada uma destas camadas, alem de ser essa uma visão que preve a trancendencia de si mesma. Por isso acho que a Abordagem Integral pode oferecer um recurso único para alçar a Humanidade a uma nova etapa do processo evolutivo e oferecer soluções concretas para os problemas atuais.

* da Wikipedia:
Autopoiese ou autopoiesis (do grego auto "próprio", poiesis "criação") é um termo cunhado na década de 70 pelos biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana para designar a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios. Segundo esta teoria, um ser vivo é um sistema autopoiético, caracterizado como uma rede fechada de produções moleculares (processos), onde as moléculas produzidas geram com suas interações a mesma rede de moléculas que as produziu. A conservação da autopoiese e da adaptação de um ser vivo ao seu meio são condições sistêmicas para a vida. Por tanto um sistema vivo, como sistema autônomo está constantemente se autoproduzindo, autorregulando, e sempre mantendo interações com o meio, onde este apenas desencadeia no ser vivo mudanças determinadas em sua própria estrutura, e não por um agente externo.